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14/08/2007 - 08h21

Crise 'não deve prejudicar economia real dos EUA'

Adriana Stock

De Nova York
A atual crise no mercado de crédito americano tende a afetar alguns investidores mas sem causar grandes prejuízos imediatos à economia real dos Estados Unidos.

Essa é a avaliação de economistas consultados pela BBC Brasil, como Adam Posen, vice-diretor do Instituto Peterson para Economia Internacional (IIE, na sigla em inglês), em Washington.

"É muito improvável que essa crise tenha um grande efeito na economia real dos Estados Unidos. Terá um pequeno efeito negativo por um ou dois trimestres. Nada além disso, a não ser que algo muito estranho aconteça nesse cenário que já temos", comentou Posen.

Robert Bruner, professor da Faculdade de Administração da Universidade da Virginia, concorda: "Se a situação não piorar, não vamos sofrer uma recessão. Vamos ter apenas um ritmo de crescimento menor".

Posen não alterou sua expectativa de crescimento para o PIB americano em 2007. Ele aposta em uma alta de 2% a 2,5%.

Phil Suttle, analista do Institute of International Finance (IIF, a associação internacional das instituições financeiras), prevê uma alta de 2% neste ano e 2,8% em 2008.

"Os fundamentos da economia estão sólidos", destaca o economista, repetindo as mesmas palavras do presidente George W. Bush que, em meio à tensão do mercado acionário na semana passada, ressaltou que a inflação estava controlada e o desemprego baixo.

Cenários

O pior cenário para a economia americana será o aumento da inadimplência nas hipotecas - razão primordial para a atual crise. Bruner avalia que, nesse caso, instituições financeiras poderiam fechar as portas, grandes empresas sofreriam com a falta de crédito, investidores venderiam suas ações, ocasionando uma queda na bolsa de valores. O pânico seria generalizado.

Um cenário mais otimista seria o fim da inadimplência. Fundos de investimento e outras instituições financeiras anunciariam prejuízos mas nada que levasse a um eventual colapso do sistema.

"Acho que o futuro estará entre esses dois cenários", prevê Bruner. "Depende do número de defaults(inadimplências) mas ainda teremos alguns meses pela frente para saber isso."

Se a saúde da economia americana não der sinais de grande deterioração, o resto do mundo tende a seguir em sua normalidade. Suttle acrescenta que a dependência dos países emergentes no mercado de crédito é muito menor do que costumava ser.

"Estamos impressionados com a falta de correlação entre os acontecimentos negativos na área de crédito nos Estados Unidos e os acontecimentos no mercado de crédito nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, por exemplo", diz.

"Os fundamentos econômicos do Brasil melhoraram tanto nos últimos anos que o país não é mais tão dependente do financiamento externo, então quando há um choque no mercado de crédito em que os investidores ficam nervosos isso não é tão importante para o Brasil como costumava ser."

Investidores

Quem está sofrendo na pele a falta de liquidez no mercado são as pessoas que buscam hipotecas e que não têm um histórico financeiro muito bom, o chamado subprime. Se antes essas pessoas conseguiam crédito sem ter emprego ou renda (conhecido como ninja loan), agora elas saem do banco de mãos vazias. Quem consegue financiamento, acaba pagando mais caro.

Se menos casas estão sendo compradas, o consumo ligado à residência, como a compra de móveis, tende a diminuir, diz Suttle, mas ele ressalta que ainda há muita riqueza em circulação, gerada nos últimos anos principalmente no mercado de ações, o que alimentaria os gastos no país.

Os investidores de títulos de securitização também foram afetados pela crise de crédito. São investidores de hedge funds, por exemplo (tipo de fundo agressivo que aplica em vários tipos de ativo e muitas vezes é usado para proteger outros investimentos). A grande questão, no momento, é saber quais hedge funds estão mais expostos à crise e em que mercados estão posicionados.

Na semana passada, o efeito foi sentido na França onde o banco BNP Paribas anunciou a suspensão temporária das retiradas de dinheiro de três fundos de investimento por considerar que não podia avaliar de modo justo o valor dos seus ativos em função da falta de liquidez.

"Isso está se espalhado por vários países, possivelmente, até no Brasil", diz Suttle.

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