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18/08/2007 - 13h09

Regiões afetadas por tremor no Peru agora sofrem com saques

Michelle Marinho

De Lima
Em meio aos esforços de resgate e de ajuda humanitária após o forte terremoto que atingiu o sul do Peru na quarta-feira, as autoridades do país pediram neste sábado calma à população, que teme novos tremores e a situação de desespero que predomina nas ruas.

Durante a madrugada deste sábado, a população das principais cidades afetadas permaneceu em pânico por causa dos saques e dos atos de vandalismo que aumentaram nas últimas horas.

O tremor, no início da noite de quarta-feira, provocou destruição na capital, Lima, e devastou outras cidades da região, como Pisco, Ica e Chincha. Os bombeiros contabilizam 510 mortes até agora, e dezenas de milhares de pessoas ficaram desabrigadas.

A igreja de San Clemente, localizada na praça central de Pisco, se tornou um dos símbolos da tragédia que se abateu sobre a região.

Até a madrugada deste sábado, 127 corpos já haviam sido retirados dos escombros da igreja. Após o tremor de quarta-feira, de 8 graus na escala Richter, tudo o que sobrou da construção colonial foi a fachada.

Apesar da falta de esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros da igreja, os bombeiros conseguiram resgatar com vida na sexta-feira o padre José Emílio Torres Mota, que celebrava uma missa no momento em que o teto desabou.

As equipes de resgate continuam trabalhando no local. Estima-se que ainda haja cerca de 40 corpos entre os escombros.

Desabrigados

O número de famílias que ficaram desabrigadas aumentou de 17 mil para 33 mil em toda a região sul do Peru. Os tremores secundários que ocorrem desde quarta-feira terminam de destruir as poucas casas que ainda se mantinham de pé.

Os moradores das cidades de Ica, Chincha e Pisco passaram a terceira noite depois do terremoto ao relento.
Na maior parte da região sul do Peru, a mais atingida pelos tremores, ainda não foi restabelecido o abastecimento de energia elétrica. Não há água. A conexão telefônica já funciona, mas com dificuldade.

Em Chincha, uma pessoa ficou ferida durante um assalto a um hospital. Uma testemunha disse que os assaltantes entraram na clínica para roubar equipamentos e remédios.

Em Pisco também foram registrados roubos. Os assaltantes aproveitam a falta de luz para entrar nas casas e lojas destruídas pelo terremoto e levar os poucos objetos de valor que ainda restam.

Em Chincha, dos 600 detentos que fugiram após a queda de um muro na prisão da cidade, apenas 75 haviam sido recapturados até este sábado.

Nervosismo e impaciência

Há uma sensação de nervosismo e impaciência pela falta de segurança. Para evitar os atos de vandalismo, o governo peruano enviou durante a madrugada mais 600 policiais à região sul do país.

Apesar da solidariedade dos peruanos e das organizações humanitárias, a ajuda demora a chegar às cidades mais atingidas pelo terremoto.

A desorganização também impede que a distribuição seja rápida. Ainda há cidades às quais a ajuda do governo não chegou.
No fim da tarde da sexta-feira, um helicóptero da Marinha, que levava cinco toneladas de alimentos, remédios e água, caiu sobre o teto de uma construção em Ica quando se aproximava da cidade.

Os sete ocupantes se salvaram. Os moradores, que esperavam os alimentos, entraram em pânico porque temiam outro desastre.

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