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05/10/2007 - 15h50

Família de espanhol baleado no Ceará quer processar governo

Anelise Infante

De Madri
Os pais e a irmã do turista espanhol Marcelino Ruiz Campelo, baleado no último dia 26 pela polícia em Fortaleza, viajam nesta sexta-feira para o Brasil para acompanhar a vítima até a volta à Europa e iniciar trâmites judiciais para processar o governo cearense.

Segundo os médicos brasileiros que o atenderam, Marcelino, que é piloto da companhia aérea Spanair, teria ficado paraplégico em conseqüência dos tiros.

A família já tem contatos com advogados no Brasil para que representem Marcelino Ruiz em uma ação judicial contra o governo. Mas esperará o resultado das investigações para decidir se o processo será por tentativa de homicídio ou para um pedido de ação indenizatória.

Silvia Ruiz, irmã de Marcelino, evitou dar detalhes sobre o processo civil. Mas confirmou que os parentes ficaram surpresos com os depoimentos de alguns policiais "que não souberam explicar com coerência as circunstâncias do que aconteceu".

Desculpas

A irmã de Marcelino questionou principalmente a afirmação do chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC) de Fortaleza, coronel Carlos Alberto Serra, que disse que o procedimento dos policiais "foi correto e dentro da lei".

"Não sei o que dizer diante dessa declaração", disse Silvia Ruiz.
Dois dias depois do incidente, o governador do Ceará, Cid Gomes, pediu desculpas em nome do Estado às vítimas da ação policial.

Gomes também anunciou ter pedido o apoio formal do Ministério Público para acompanhar as investigações sobre o episódio.

A Polícia Militar do Ceará informou ainda que os sete policiais envolvidos foram "afastados do trabalho ostensivo" e que um inquérito policial militar foi aberto para apurar o incidente.

Perícias

A família de Marcelino Ruiz quer ser informada dos resultados das perícias no carro das vítimas e da análise das imagens das câmeras de trânsito do local.

Silvia Ruiz disse ainda que espera regressar à Espanha em dez ou 15 dias. "A idéia é permanecer uns dias em Fortaleza e retornar com o meu irmão. Queremos que ele seja operado aqui o mais rápido possível para que extraiam uma bala que ficou alojada na medula", afirmou.

A família, que está sendo assessorada pela embaixada brasileira na Espanha, pretende viajar com assistência médica especializada no avião.

O incidente do dia 26 aconteceu quando a polícia perseguia bandidos que fugiam depois de cometer um assalto. O carro das vítimas foi confundido com o dos assaltantes e acabou recebendo 18 tiros disparados a 200 metros de distância.

No veículo, um Toyota preto (o carro dos assaltantes era uma caminhonete Chevrolet vermelha), viajavam o turista espanhol de 38 anos, a namorada dele, Maria de Mar Santiago, e um casal de amigos, o italiano Inozenzo Brancatti e a brasileira Denise Brancatti.

As duas mulheres saíram ilesas e o turista italiano foi baleado no braço. Já o espanhol ficou paraplégico, segundo os médicos brasileiros. A família, no entanto, tem esperanças de que ele volte a andar depois de um tratamento na Europa.

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