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17/10/2007 - 19h08

Centenas queimam bordéis em protesto na Bolívia

Marcia Carmo
De Buenos Aires
Centenas de moradores da cidade de El Alto, no Departamento de La Paz, na Bolívia, queimaram bares, discotecas e prostíbulos em dois dias de protestos iniciados na segunda-feira.

De acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI, oficial), 21 pontos de comércio foram saqueados e incendiados, incluindo revendedores de bebidas alcoólicas, na segunda e na terça-feira.

"Cansados da insegurança pública, registrada diariamente nesta cidade, os moradores, a maioria pais de família, afirmaram que estes centros de diversão estimulam a delinqüência e prejudicam os menores de idade", escreveu a ABI.

Reportagem do jornal La Razón informa que os manifestantes usaram paus e pedras antes de colocar fogo nos locais e em objetos como colchões, equipamentos de som, mesas, cadeiras, roupas de prostitutas, preservativos e até uniformes da polícia.

Segundo a agência oficial, as prostitutas anunciaram que vão reagir com protestos e ações judiciais contra a Federación de las Juntas Vecinales de El Alto (equivalente a associação de moradores de El Alto), que teria organizado os protestos.

"As meretrizes ameaçaram caminhar nuas até a sede do governo porque viram suas fontes de trabalho afetadas", publicou a ABI.

Polícia
A representante das prostitutas, identificada apenas como Ely, disse que elas cumprem todas as regras exigidas pela administração municipal e que a violência do protesto não faz sentido.

"Temos filhos para manter e isso que fizeram com a gente não tem nome", reclamou.

Segundo o jornal e a própria agência oficial boliviana, a polícia assistiu à destruição sem fazer nada.

De acordo com a ABI, "cerca de 20 policiais seguiam o grupo enfurecido a uma distância prudente, em atitude passiva, contemplando as ações violentas".

O secretário de Pequenas Empresas da Associação de Moradores de El Alto, Daniel Gutiérrez, disse que os moradores tiveram que tomar suas próprias medidas porque, segundo ele, há muito tempo pessoas alcoolizadas cometem delitos na cidade.

Diante das câmeras de televisão, mulheres indígenas, que não se identificaram, afirmaram estar "lutando contra o antro de perdição de menores".

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