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26/01/2008 - 17h10

Fórum Social Mundial tem versão descentralizada

Carolina Glycerio

Da BBC Brasil em São Paulo
O Fórum Social Mundial, que surgiu em 2001 como contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, terá a sua primeira versão "descentralizada" neste sábado.

Diferentemente de anos anteriores, quando o Fórum se desenrolava em um único megaevento para onde convergiam diversos movimentos sociais, este ano serão realizadas 800 ações espalhadas por 81 países, grande parte delas no Brasil.

O evento voltará a ocorrer no formato original em 2009, em Belém. Segundo os organizadores, a idéia é alternar edições "policêntricas" com reuniões em um só local, como as que eram realizadas em Porto Alegre e como a que ocorreu em Nairóbi, no Quênia, no ano passado.

"Diziam que o fórum era um festival. Em Nairóbi foi se construindo essa idéia de que, já que há essa crítica, vamos mostrar que o fórum tem uma relação real com as pessoas", disse Antonio Martins, editor do Le Monde Diplomatique no Brasil e um dos idealizadores do fórum.

Martins nega que as reuniões estejam se espalhando para conter uma suposta perda de mobilização ou para atender às críticas dos próprios manifestantes de que as dificuldades e custos envolvidos numa viagem ao local do evento "elitizavam" o movimento.

A falta de uma plataforma que sirva como uma alternativa viável à dominação pelas "elites neoliberais" também não é motivo de constrangimento para o articulador do movimento.

"A diversidade é mais poderosa do que a centralização", afirmou Martins, que representa a Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos (Attac) no Brasil. "O Fórum não é um lugar onde as pessoas tomam decisões, ele é um espaço onde os movimentos procuram se articular."

"Não queremos colocar modelos, queremos colocar valores. De que, por exemplo, o direito à saúde se sobrepõe às patentes, de que quem sabe o direito à terra se sobrepõe ao da propriedade, que quem sabe o direito à cultura se sobrepõe ao copyright."

O cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio considera descabida, ao menos nesse momento, a expectativa de que os ativistas apresentem um modelo alternativo ao que criticam.

"O movimento está sendo criado, é recente, não dá para esperar que tenha competência para trazer alternativas, não dá para mudar o mundo em sete anos", diz Procópio.

Sem Lula
Na avaliação do cientista, a decisão de levar o Fórum para fora do Brasil marcou a identidade do movimento em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ajudou-o a se internacionalizar.

Já Martins diz considerar que a ausência de Lula, que esteve no Fórum Social em 2003 e 2005, tem pouca relevância para o movimento no seu atual estágio.

"Hoje o Lula representa muito pouco para o Fórum", disse.

O jornalista define o governo Lula como uma "desilusão positiva", porque teria mostrado que tomar o poder não é necessariamente a melhor estratégia para a mudança.

"O governo Lula contribuiu para acabar com a ilusão de um salvador da pátria."

Martins reconhece também que outras idéias que eram comuns nas primeiras edições do fórum já não encontram a mesma força no movimento, como a resistência à globalização.

"Muito rapidamente está se criando um consenso de que a globalização não é um mal. É bom ter acesso a música africana, cinema indiano, acho que ninguém mais usa essa expressão (antiglobalização). Somos um mundo só."

Embora tenha perdido a condição de sede desde que o evento saiu de vez de Porto Alegre, em 2005, o Brasil continua sendo o principal pólo do movimento, concentrando mais de cem das ações planejadas.

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