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20/03/2008 - 19h24

Sodoma, Gomorra, New York, New York

Lucas Mendes
Colunista da BBC Brasil
Os políticos de Nova York nunca jogaram no time dos puritanos. Já nos primeiros anos da República, os líderes do Estado apimentavam as conversas das melhores e piores famílias com seus escândalos sexuais.

Mais recentemente, Franklyn Roosevelt e a mulher tinham seus affairs. E o coração de um dos mais famosos republicanos do país, o ex-vice-presidente e ex-governador Nelson Rockfeller, bombou pela última vez quando ele estava na cama com a sua secretária. Ele tinha 71 anos.

Já estava divorciado e aposentado, mas isto foi em 79, quando os puritanos americanos ainda não elegiam presidentes divorciados. O primeiro foi Ronald Reagan, em 80.

Desde então, não por causa de Ronald Reagan, o mais fiel dos maridos, os tablóides e até a imprensa menos colorida passaram a se interessar por sexo e registram 50 casos de prefeitos, legisladores, governadores e presidentes em camas allheias. Ou, como no caso de Bill Clinton, nas poltronas.

O estado vizinho, Nova Jersey, não deixa por menos. O ex-governador que se declarou gay ainda no mandato está nos tribunais brigando com a mulher pela custódia da filha. Entre as revelações, o casal e o motorista tinham um ménage à trois durante anos.

São histórias sórdidas, mas irresistíveis, porque na maioria dos casos envolvem políticos ou líderes hipócritas, condenadores e intolerantes.

O governador de Nova York, Eliot Sptizer, estava na minha lista e de milhões de nova iorquinos de prováveis futuros presidentes da República: preparado, incorruptível, idealista, incansável.

A rapidez da queda foi diretamente proporcional à sua atitude de justiceiro implacável. Como promotor, assombrou a Wall Street com uma calculadora que não perdoava centavos.

Tretou, relou, o banqueiro/investidor ganancioso e multimilionário saía algemado da melhor sala, humilhado diante de empregados perplexos.

Com a prostituição, o chamado "crime sem vítimas", Spitzer não só desmontou redes e processou cafetões como, logo depois da posse, assinou uma lei que pune o "consumidor".

Ou seja, pode ser usada contra ele porque já era sócio do Clube do Imperador que oferecia as moças.
Logo ele, com seu faro de labrador, caçador de contas misteriosas e ouvido apurado para conversas alheias, deixou mais pistas pelo caminho que animal ferido. O governador tinha faro e ouvido, mas perdeu a visão com as ninfas do clube.

No lugar dele entrou um cego, político do Harlem, o terceiro negro na história americana a governar um Estado desde o período da reconstrução do sul, depois da Guerra Civil.

Enquanto Spitzer vive seu pedadelo, Paterson vive o sonho americano. O novo governador não enxerga, mas é famoso pelo tato e não só o político.

David Paterson fez uma confissão preventiva: mexia, e muito, fora da cama da própria mulher. E ela também rolava noutros lençóis entre 1999 e 2001 quando o casamento entrou em crise.

Eram muitas mulheres, não se lembra exatamente de quantas, mas tinha até uma funcionária pública.
Com mais de vinte anos na assembléia estadual antes de chegar a vice-governador, no trato com os colegas Paterson é cordial e conciliador, o oposto do governador caído.

A confissão dele mereceu editoriais e apoio inclusive dos adversários republicanos. Contou está contado e zerado, é o que nos garantem.

Não acredite. Como a gente sabe, político raramente conta a história toda. Os labradores já estão cavando as prestações de contas dele e num dos cartões de crédito aparecem certas despesas com hotéis e refeições pagos com dinheiro que só podia ser usado para campanha política.

A lua de mel da imprensa com o primeiro governador negro e cego de Nova York pode salgar depressa.

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