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07/02/2009 - 21h09

Milhares vão às ruas na Venezuela contra reeleição

Claudia Jardim
De Caracas para a BBC Brasil
Dezenas de milhares de opositores do governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, saíram às ruas de Caracas neste sábado para protestar contra a proposta de emenda constitucional que será submetida a referendo no próximo domingo, que prevê o fim do limite à reeleição.

Convocada pelo movimento estudantil opositor, a manifestação reuniu os principais líderes dos partidos políticos que defendem a campanha do "Não" à emenda constitucional.

Os dirigentes opositores chamaram seus seguidores a votar "em massa" no próximo domingo e se declararam confiantes na vitória para "derrotar o comunismo".

"A reforma esconde o início de um Estado castro-comunista, eliminaria a propriedade privada ao povo da Venezuela. Aquele que tem uma bicicleta, uma casinha, saiam a defendê-las", afirmou o dirigente opositor e prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, em um discurso durante a manifestação.

Minutos depois, em um ato público de entrega de créditos em Petare, periferia de Caracas, Chávez desmentiu seu opositor. "Escutei por aí um dirigente da oposição dizendo que vamos tirar do povo as bicicletas e a propriedade privada. Isso é mentira", afirmou o mandatário.

Revolução bolivariana
O governo venezuelano argumenta que a emenda permitirá ao presidente venezuelano liderar o processo de "aprofundamento" da revolução bolivariana e afincar as bases para consolidar um modelo socialista no país.

Para a oposição, porém, a emenda, que permitiria a Chávez disputar um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 2012, é "inconstitucional" porque o tema da reeleição foi incluído em uma reforma constitucional mais ampla, cujo projeto foi rejeitado nas urnas no referendo de 2007.

"Nós já votamos essa proposta e a maioria decidiu que não, não queremos que Chávez se perpetue no poder", afirmou à BBC Brasil a estudante Carolina Romero da Universidade Metropolitana.

O Supremo Tribunal da Venezuela, porém, deu seu aval ao referendo na semana passada ao considerar que a modificação de cinco artigos da Constituição de 1999 "não altera de forma alguma os valores democráticos do ordenamento jurídico constitucional".

Caso a emenda seja aprovada no referendo, o presidente, governadores, prefeitos e deputados poderão se apresentar à reeleição em seus cargos quantas vezes quiserem, sem limites de candidaturas.

Desinformação
Diversos manifestantes com quem a reportagem da BBC Brasil conversou neste sábado afirmaram acreditar que a emenda permitirá a permanência de Chávez no poder indefinidamente, sem disputar eleições.

"Essa emenda é uma armadilha, o que Chávez está tentando na verdade é a reeleição indefinida, ficar para sempre no poder e acabar com a democracia no país", afirmou o arquiteto Hector Millán.

A confusão é parte da estratégia de propaganda da oposição, que tem reiterado que a reeleição tornaria Chávez uma espécie de monarca venezuelano. "(Chávez) seria um presidente eleito perpetuamente", afirmou Manuel Rosales durante a manifestação.

A desinformação do eleitorado opositor também foi constatada por Oscar Schemel, diretor da empresa de pesquisas Hinterlaces, que afirmou durante entrevista coletiva em Caracas que a rejeição à emenda está associada "à percepção de uma Presidência vitalícia, sem eleições, associada à reeleição indefinida".

Tensão
A reta final da campanha pelo referendo tem sido marcada por enfrentamentos entre estudantes e policiais. De acordo com a imprensa local, na quarta-feira uma manifestação de estudantes opositores realizada na cidade de Maracay (a 110 km de Caracas) teria sido dispersada com bombas de gás lacrimogêneo. Na ocasião, quinze estudantes teriam sido presos e libertados horas depois.

O clima deve continuar tenso, de acordo com a manifestante Tamara Oropeza - que se protegia do sol com um lenço estampado com a bandeira dos Estados Unidos. Na sua opinião, a aprovação da emenda poderia desencadear manifestações violentas do lado opositor.

"Se o governo ganhar, as pessoas não vão tolerar, vão sair às ruas para protestar, inclusive poderia haver até pessoas mortas, tomara que não. Mas as pesquisas dizem que nós estamos ganhando", afirmou.

Na última semana, duas pesquisas de intenção de voto com tendências diferentes, mostram que o governo poderia sair vitorioso do pleito do próximo domingo. Em uma pesquisa divulgada pela empresa North American Opinion Research, Inc. (Naorinc), o referendo seria aprovado com 54% de votos a favor do "Sim" contra 38% dos votos pelo "Não".

No estudo da empresa Datanálisis, o cenário é um pouco mais apertado. De acordo com essa pesquisa, 51,5% dos venezuelanos apóiam o fim do limite a reeleição, enquanto 48,1% rejeitam a proposta.

O resultado da pesquisa do instituto Hinterlaces, no entanto, mostra a oposição com uma vantagem de cinco pontos, com 49% dos votos contra a emenda e 44% a favor da proposta.

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