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09/02/2009 - 13h05

Brasileiro teme que fogo atinja sua casa na Austrália

O brasileiro Carlos Ferreira e a esposa Amanda, moradores do Estado australiano de Victoria, temem que as queimadas que vêm devastando áreas rurais da região atinjam zonas mais urbanizadas, como a cidade onde moram. O casal vive a cerca de 40 quilômetros dos focos de incêndio, na cidade de Melbourne.

"Como o fogo viaja muito rápido (chegou a 120 quilômetros de velocidade), acredito que também corremos um certo perigo aqui. Está tudo muito imprevisível", disse ele. "Teve gente que tentou proteger a casa, mas nem teve tempo de fugir por causa da velocidade com que as chamas se alastram", explicou Ferreira à BBC Brasil por telefone.

O brasileiro contou que a esposa perdeu dois amigos no incêndio que afetou Kinglake, município onde Amanda passou sua juventude.

"A escola onde minha irmã estudou foi totalmente destruída. Um amigo meu tentou proteger a casa e morreu", disse Amanda. "Com o aquecimento global, essa não vai ser a primeira nem ultima tragédia desse tamanho", acrescentou ela.

O governo da Austrália anunciou um pacote de ajuda às vítimas de cerca de 10 milhões de dólares australianos, ou o equivalente a R$ 15 milhões.

O primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, disse que a população deve se preparar para outras más notícias. "As áreas atingidas precisarão de anos para serem reconstruídas", disse ele à mídia local.

Cerca de três mil quilômetros de florestas, plantações e cidades foram atingidas.

No pior caso de incêndios da história do país, pelo menos 131 pessoas morreram e cerca de 750 casas foram destruídas, deixando milhares de desabrigados. Muitas pessoas encontraram abrigo em escolas próximas às áreas afetadas.

Os fogos chegaram a se alastrar na velocidade de 120 quilômetros por hora, sem deixar tempo para muitos fugirem. Várias pessoas morreram encurraladas pelo fogo dentro de seus carros enquanto tentavam escapar das chamas.

Alguns municípios e vilarejos foram completamente destruídos pelos incêndios. Em alguns, casos suspeita-se de queimadas provocadas por ação humana. Uma pessoa já foi presa.

Tropas militares e equipes de emergência ainda tentam controlar outras dezenas de incêndios que ainda ameaçam áreas populadas.

Bombeiros disseram que as condições melhoraram com a queda das temperaturas, o que iria facilitar o combate às chamas.

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