UOL Notícias Notícias
 

10/02/2009 - 19h30

Manifestantes indianos enviam calcinhas para grupo extremista

Indianos revoltados após um ataque contra mulheres que bebiam em um bar se uniram para mandar um presente a militantes extremistas: calcinhas.

Mais de 5 mil pessoas, incluindo muitos homens, aderiram ao grupo, que se autodenomina Consortium of Pub-going, Loose and Forward Women (em tradução livre, Associação de Mulheres Avançadas, Fáceis e Frequentadoras de Bares) ou CPLFW no site de relacionamentos Facebook.

A associação diz que vai dar as calcinhas cor-de-rosa aos militantes do grupo Sri Ram Sena (Exército do Lorde Ram) no próximo sábado, Dia dos Namorados na Índia.

O obscuro grupo militante está sendo responsabilizado pelo ataque, ocorrido no mês passado em um bar na cidade de Mangalore, no sul do país.

O líder do grupo, Pramod Mutalik, preso após o ataque, foi libertado depois de pagar fiança. Ele disse que "não é aceitável" que mulheres frequentem bares na Índia.

Mutalik disse também que seus homens vão protestar contra o Dia dos Namorados no sábado.

O CPLFW, formado no Facebook na última quinta-feira, convocou as mulheres a "andar até o bar mais próximo e comprar uma bebida" no Dia dos Namorados.

Segundo uma porta-voz do CPLFW, a associação espera coletar pelo menos 500 unidades de calcinhas rosa e enviá-las ao escritório de Mutalik na cidade de Hubli, no sul da Índia.

A associação pediu às pessoas que enviem as calcinhas pelo correio ou coloquem suas contribuições em "postos de coleta" em todo o país.

"Trata-se de uma escolha entre ignorar um grupo como o Ram Sena ou responder às suas atividades", diz o CPLFW. "Decidimos dar atenção a ele, mas é um tipo de atenção de que não vai gostar." O Ram Sena não comentou as atividades da associação.

O ataque do mês passado em Mangalore, filmado e transmitido em televisão nacional, chocou muitos indianos. As imagens mostraram homens perseguindo e batendo nas mulheres em pânico. Algumas das mulheres, que tropeçaram e caíram, foram chutadas pelos homens.

Cerca de 30 pessoas, incluindo Mutalik, foram presas após o ataque.

Grupos de defesa dos direitos das mulheres condenaram veementemente o ataque, que foi descrito pela ministra das Mulheres do país, Renuka Chaudhury, como uma tentativa de impor valores do estilo Talebã na Índia.

O governo nacionalista hindu do Estado de Kamataka se distanciou do ataque, dizendo que não tinha nada a ver com o Sri Ram Sena.

Mas correspondentes na região dizem que milícias de direita hindus, que estariam vinculadas ao partido governista de Kamataka, o BJP, estão em atividade em muitas regiões da Índia e, no passado, fizeram ataques contra minorias muçulmanas e cristãs e contra eventos como o Dia dos Namorados.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,11
    3,339
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,30
    61.087,14
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host