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15/02/2009 - 20h16

Termina votação em referendo sobre reeleição na Venezuela

Terminou na noite deste domingo a votação no referendo da Venezuela que definirá a aprovação, ou não, do fim do limite à reeleição para os cargos de eleição popular.

Se aprovada a emenda, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, poderá se candidatar a um terceiro mandato presidencial. Os meios de comunicação estão proibidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de adiantar qualquer resultado de pesquisa de boca-de-urna. De acordo com o CNE, o primeiro boletim com resultados "irreversíveis" será divulgado às 21h (horário local, 22h30 hora de Brasília).

Simpatizantes do governo já comemoram em alguns pontos da cidade.

As últimas horas de votação foram marcadas por tensão verbal entre governo e oposição. O deputado opositor Ismael Garcia disse "ter certeza que os resultados de hoje serão favoráveis à democracia, e esses serão os resultados que vamos reconhecer", afirmou o deputado, indicando que a oposição não aceitará resultados desfavoráveis à opção do "Não" à emenda constitucional.

Representantes do governo, entre eles o ministro de Relações Exteriores, Nicolas Maduro, afirmaram que já há uma "tendência irreversível" dos resultados e pediu aos competidores aceitarem os resultados das urnas.

Na tarde deste domingo, o movimento estudantil anunciou que haviam esperado até as 15h ( 16h30) para sair a votar em massa com todos os jovens opositores. A estratégia foi interpretada como um mecanismo para confundir as pesquisas de boca-de-urna realizadas pelo governo. Até o chamado do movimento estudantil cerca de 50% dos eleitores já haviam votado.

Ao longo do dia, na zona leste de Caracas, reduto da oposição, as filas no centro de votação foram diminuindo. Durante a tarde, um carro de som da oposição circulou pelos principais bairros desta zona convocando os moradores a votarem.

No oeste da cidade, nos bairros periféricos de Petare e Catia, havia grande concentração de eleitores durante a tarde. Nestes mesmos bairros, ao longo da manhã, os centros de votação estavam vazios.

Os moradores das principais cidades da Venezuela despertaram às 5h deste domingo (hora local, 6h30 em Brasília) ao som de queimas de fogos e do toque de uma marcha militar que chamava os eleitores a participar do referendo que deve decidir sobre o fim do limite à reeleição no país.

Mais de 16 milhões de venezuelanos são esperados nas urnas nesta que é a 15ª eleição no país em dez anos do governo do presidente Hugo Chávez.

Grande parte dos centros de votação abriu às 6h (hora local, 7h30 em Brasília), com relativa concentração de eleitores que já aguardavam na fila para votar. No leste de Caracas, onde vive a maioria dos opositores ao governo, as filas começaram a se formar ainda na madrugada.

"Esta é a última chance que temos para mudar esse país. Senão, acabou, não nos livraremos mais deste presidente", disse à BBC Brasil o comerciante Alécio Zerpa.

Ele conta que desde que Chávez chegou ao poder a propriedade privada deixou de ser respeitada na Venezuela.

"Eu tinha uma fazenda no Estado de Apure (fronteira com a Colômbia) e tive que vender. Os guerrilheiros aparecem, amedrontam e não há governo para reprimir", afirmou. Em outro centro de votação também no leste de Caracas, o músico Federico Pérez disse que uma vitória da oposição neste domingo "é fundamental para garantir a democracia" no país. "Não estou de acordo com a reeleição, o poder concentrado nas mãos de uma só pessoa corrompe", afirmou. No oeste da cidade, no bastião chavista do bairro de 23 de Enero, os eleitores se mostravam confiantes na aprovação da emenda.

"O que está em jogo hoje é o futuro da revolução e por isso contamos com a reeleição de Chávez, para que nós pobres continuemos sendo tomados em conta neste país", disse à BBC Brasil o analista de sistemas Luís Almaro. Para a desempregada Suzana Pérez, que conta ter sido demitida "por ser chavista" da prefeitura de Caracas, cujo novo prefeito é o opositor Antonio Ledezma, uma derrota do governo hoje poderia significar "o fim da revolução".

"É no Chávez em quem confiamos para continuar transformando esse país. Sem ele, voltamos ao abandono do passado. Todos estamos conscientes disso, por isso vamos ganhar", afirmou. As últimas pesquisas de intenção de voto apontam que a emenda poderia ser aprovada por uma margem estreita de votos. O principal desafio neste pleito, tanto para o governo, como para a oposição, será diminuir o percentual de abstenções. Representantes dos partidos governistas e opositores têm demonstrado preocupação devido à redução do número de eleitores nos centros eleitorais, cujas filas desapareceram depois da primeira hora de votação. "Estas eleições estão muito frias. Convoco todos a sair a votar, não fiquem em suas casas", foi o apelo de Capriles Radonski, novo governador opositor do Estado de Miranda, logo depois de votar.

De acordo com o instituto de pesquisa Datanalisis, cerca de 10% do eleitorado se declarou indeciso nas vésperas do pleito. A tendência é imprevisível, mas pode definir o resultado final. Para os opositores que defendem a opção do "Não", a emenda constitucional afeta o princípio de alternância democrática.

Para os governistas, que consideram "indispensável" que Chávez continue à frente da chamada revolução bolivariana para consolidar um modelo socialista no país. Na opinião de analistas, uma vitória do "Sim" poderá ser interpretada por Chávez como um aval para radicalizar o governo. É o que espera a maioria dos simpatizantes do presidente, que se queixam da ineficiência da administração pública.

Caso a oposição consiga uma vitória, os partidos opositores poderiam conquistar novo "oxigênio", de acordo com analistas, para disputar as eleições parlamentares de 2010 e construir uma candidatura unitária para disputar as eleições presidenciais de 2012 contra o chavismo. Mais de 140 mil efetivos das Forças Armadas estarão a cargo da segurança dos 11,6 mil centros de votação espalhados pelo país. De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, 1,6 mil observadores nacionais e 98 internacionais, provenientes de 25 países, acompanharam o pleito.

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