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08/03/2009 - 07h22

'Disposição' de Obama a conversar com Talebã é bem recebida no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, recebeu bem a indicação do presidente americano, Barack Obama, de que ele estaria disposto a iniciar negociações com membros moderados do Talebã como parte do processo de reconciliação. Em uma entrevista publicada no sábado no jornal New York Times , Obama afirmou que os Estados Unidos não estavam ganhando a guerra no Afeganistão.

Segundo ele, é possível que o país possa oferecer as oportunidades que o Iraque, onde as tropas americanas persuadiram radicais islâmicos a cooperar com o Exército, pois estavam isolados das táticas da rede al-Qaeda. Em declaração feita neste domingo, Karzai afirmou que seu governo sempre defendeu o diálogo com membros do Talebã que não estavam relacionados com extremistas. Segundo o presidente, a aproximação seria parte importante de um eventual acordo político. Em setembro de 2008, o irmão de Karzai se encontrou com ex-membros do Talebã na Arábia Saudita, como parte do processo para as negociações de paz. Logo no início de seu mandato como presidente dos Estados Unidos, Obama aprovou o envio de 17 mil soldados ao Afeganistão. Segundo ele, a decisão foi motivada por "necessidades urgentes de segurança" no país. Correspondentes da BBC na região afirmam que a noção de reconciliação com fundamentalistas islâmicos está ganhando força e sendo vista como uma forma de controlar o aumento da violência no país. Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório no qual afirma que o número de civis mortos em conflitos no Afeganistão subiu 40% em 2008.

Obama e seus assessores estão revisando a estratégia dos Estados Unidos no Afeganistão e estão levando em consideração práticas que funcionaram no Iraque. "Se falarmos com o general Petraeus, ele nos dirá que parte do sucesso no Iraque consistiu em estender as mãos a pessoas que consideraríamos fundamentalistas islâmicos mas que queriam trabalhar conosco porque estavam completamente isoladas pelas táticas da Al-Qaeda no Iraque", disse Obama ao NYT . No entanto, Obama admitiu que a situação no Afeganistão é "mais complexa".

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