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13/03/2009 - 05h22

Ainda falando (mal) da música pop

Outro dia mesmo, eu fui falar mal da atual música pop. Veio gente do Brasil para quebrar a minha cara. Escondi-me. Andei ainda mais esbaforido do que o costume. Tudo porque eu dei os dados de um ano bom para Madonna em termos financeiros (os únicos em que é pródiga) e debochei um pouquinho dos chamados "ídolos imortais" do pop, essa gente provisória e intercambiável, sempre a se promover, sempre se esquivando de registrar em CD ou DVD sua falta de talento.

Haja engenheiro de som nos "concertos". Têm eles, para faturar ao máximo, dois ou três anos para alimentar as chamas vorazes de sua fama mais que passageira, mortal como um feirante.

Chamas vorazes. Parece letra de... Quem? Qual o mito? O ícone? Robbie Williams? Bruce Springsteen? Alguém muito emblemático, com toda certeza.

Nesta semana foi anunciada a nova excursão de Michael Jackson pelo Reino Unido. Vi sendo dada como segunda ou terceira notícia nos telejornais. Logo depois do novo surto de violência na Irlanda do Norte e no Iraque.
Lá estava o bruto peso pluma. Branco como a neve, de (mais um) nariz novo, sendo idolatrado em alguma aparição anterior. Filme de arquivo. A industriosa reportagem mandou alguém para registrar a venda dos ingressos. Entrevistou alguns dos amantes da música - muitos choravam de emoção - do ex-menino prodígio e ex-negro também. Burrão. Não vê ele que, graças à eleição de Barack Obama, os negros voltaram à moda. No melhor dos sentidos.
Michael Jackson deveria passar de novo no centro de cirurgia plástica reparadora e exigir sua cor original de tez. Infelizmente, se o fizesse, neste mundo cada vez mais envolto nas sombras do politicamente correto, Michael Jackson se veria em mais apuros do que passar três dias e três noites com "dimenores" em seu famoso rancho do Peter Pan: não dá, mas não dá mesmo, para pintar a cara de preto, como o fazia o falecidíssimo e talentosíssimo Al Jolson, né Asa Joelson, ou seja, judeu, que esses sim continuam na moda. Pronto. Chamei o Al Jolson de talentoso. Lá vem porrada.
Nós, os descontentes com o panorama atual dessa música para menores de 16 anos (ou seja, toda música pop), música pedófila pode-se dizer exagerando, temos no entanto algumas tábuas de salvação. Como tudo mais, estão na internet e não nas mãos de um novo Moisés descendo a montanha.

O amigo aí tem mais de 20 anos e odeia o Bono? É, aquele mesmo. O irlandês do U2 que salva mais o mundo do que o Super-Homem ou O Quarteto Fantástico. Dê vazão a seus baixos, ou altíssimos, instintos, companheiro. Não me procure para quebrar minha cara. Basta dar uma chegada ao blog cujo nome diz tudo ihatebono.com. Dão umas boas gozadas no fabuloso irlandês.

Coldplay. Parece que é uma banda. Zilionária, claro. Em vendagem de discos e promoção de si própria. Entre no popular Facebook e junte-se à gente boa que se assina também dizendo tudo: I Hate Coldplay So Much It Makes Me Want To Cry
. Desnecessário traduzir. Para quem está familiarizado com "personal trainers" e "fashion weeks". Certo, amigão?
Madonna. Onde tudo começou. Ou onde comecei eu. Pare de bater no peito orgulhoso de ela estar dando o que é dela para um jovem brasileiro que atende pelo senhorial nome de Jesus. Pense em termos musicais. Vá até a esquina e alugue um DVD (Blue Ray, se tiver) de Evita, só para ficar numa boa, num clima ideal. Depois, abra o computador e dê uma chegada ao antimadonna.dark.host.com.
Na verdade, o título do blog é Madonna Blows Chunks, que não vou traduzir porque, apesar de ter voltado ao mundo destituído de talento da atual música popular, quero, ao contrário de Bob Geldof, manter um mínimo de dignidade neste latifúndio que me cabe. O blog dedicado a Madonna já recebeu, em poucas semanas, 70 mil hits e 300 membros encarregam-se de acrescentar palavras de desincentivo, duras mesmo, a ela que já foi o ídolo de milhões e mais milhões ainda faturou e fatura ainda.

Não entrei e não pretendo entrar em nenhum desses lugares acima citados. Já tenho bastantes problemas em minha vida. Limito-me a atiçar o próximo. Tentando ao menos livrar-me de chutes e cacetadas.
Vão lá, gente, vão lá. Taquem verbo neles que eles merecem.

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