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17/03/2009 - 09h19

'Casa de Julieta', em Verona, abre portas para casamentos

A prefeitura de Verona está abrindo as portas da Casa de Julieta para casamentos, em uma tentativa de transformar a cidade na capital dos matrimônios na Itália.

A iniciativa faz parte do projeto "Sposami a Verona", algo como "Case comigo em Verona", e o preço para realizar o casamento no local é de 600 euros, para os moradores da cidade, e 1.000 euros, para os outros.

Segundo os idealizadores do projeto, a diferença de preço é para compensar os custos da emissão de documentos. A casa - símbolo da cidade de Verona - teria pertencido à família Capello, que teria inspirado a família Capuletto na peça Romeu e Julieta , de William Shakeaspeare. A prefeitura de Verona tomou posse do imóvel no começo do século passado e em 1935 submeteu-a a uma reforma mantendo o estilo gótico e medieval. "O serviço deve entrar em operação dentro de 15 dias, e vamos promover a sinergia de todos os envolvidos com um casamento, do florista ao dono de hotel, passando pelos restaurantes e outras atividades que giram em torno de um matrimônio", disse à BBC Brasil o assessor da prefeitura de Verona, Daniele Poleto, um dos criadores do projeto. Os meses entre março e setembro - o período de primavera e verão - são os mais populares para casamentos no hemisfério norte. "Mas faremos cerimônias durante o inverno também, pois o clima na cidade é muito sugestivo", acrescentou o assessor.

Dentro da casa, em estilo medieval, será realizado apenas o casamento civil, em meio a lareiras de tijolos e escadas de madeira. A benção religiosa deverá ser feita na igreja. Na sacada, que na tragédia de Shakespeare era o local de onde Julieta se declarava para Romeu, a esposa poderá beijar o marido e jogar o buquê. A festa poderá ser feita no pátio interno do antigo sobrado e num amplo espaço no andar superior da casa. "A casa era usada, raríssimas vezes, para exposições artísticas que tinham como tema a história de Romeu e Julieta, mas recebíamos muitos pedidos de moradores de Verona para celebrar casamentos na casa e em outros lugares nobres da cidade e em horários diferentes daqueles comuns", disse Poleto, explicando que a casa de Julieta é apenas um dos novos locais que vão ser abertos para os matrimônios. Todos os dias, centenas de pessoas visitam a Casa de Julieta, uma das principais atrações turísticas de Verona. Elas escrevem, desenham e deixam bilhetinhos com mensagens de amor nas paredes de tijolos da fachada. Reza a lenda que quem tocar o seio esquerdo da estátua de bronze de Julieta erguida no jardim vai ter o amor correspondido.

A abertura da casa é o ponto máximo de um pacote turístico mais amplo com pernoites em hotéis e jantares à luz de velas em restaurantes importantes. Com quase dois mil anos de historia, Verona é a quarta cidade mais visitada da Itália. Todos os anos, cerca de um milhão e trezentos mil turistas passam pela terra de Romeu e Julieta e fazem fila para entrar na casa.

Com a iniciativa, a prefeitura já recebeu pedidos de casamento na Casa de Julieta vindos da Austrália, dos Estados Unidos, da Inglaterra, de Portugal e de países da Ásia. Deniele Poleto lembra que o casamento civil é para valer, com os documentos originais emitidos pelas autoridades públicas e consulares. "Não vai ser como em muitos lugares onde o casamento é apenas simbólico, aqui vai ter valor jurídico', afirma.

A iniciativa "Case comigo em Verona" vai de encontro à tendência entre os italianos, que cada vez menos oficializam suas uniões. Segundo o Istat, órgão oficial de pesquisas, em 2007, 247 mil matrimônios foram celebrados no país, contra 270 mil em 2002.

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