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25/03/2009 - 16h39

Ciclista nu é atração no litoral da Espanha

Todos os dias, a orla marítima de San Sebastián, no nordeste da Espanha, tem uma atração a mais: Irwin, o ciclista nu. Indiferente às polêmicas, ele reivindica o direito de pedalar sem roupas pela rua porque isso não é crime. E até a Justiça espanhola concorda.

O ciclista nudista, um francês de "mais de 50 anos" e que prefere ser chamado "só de Irwin, sem sobrenome", passeia com uma antiga bicicleta pela praia de La Concha desde 2006, sorrindo a quem encontra pelo caminho e sem se preocupar com olhares e críticas.

A decisão de pedalar sem roupas pela orla já rendeu ao francês duas prisões e um processo judicial, mas Irwin nunca passou mais de meia hora na delegacia de Hendaia, no País Basco.

Com argumentos jurídicos, ele afirmou ao delegado que a legislação espanhola proíbe o nudismo em praias não designadas para esta prática. Ou em casos de exibicionismo ou provocação que caracterizem atentados ao pudor. Mas não há artigos que citem restrições à circulação nu em bicicleta.

Nas duas prisões (a última em outubro de 2008), os policiais atenderam a apelos populares, mas reconheceram na delegacia que o ciclista não provocava ninguém.

Em entrevista à TV local do País Basco, Euskal Telebista, Irwin afirmou que foi preso por desobediência (não acatou as ordens dos guardas para se vestir), mas não por exibicionismo, porque em seus gestos "nunca há nada de libidinoso".

O ciclista considera "andar nu pela rua o mais básico de todos os direitos humanos" e questiona a razão da polêmica.

"O que tem de mal o corpo humano? Sim, há gente que só olha 1% do meu corpo, os genitais. Algo curioso, porque é o órgão que nos dá a vida." As declarações coincidem com a sentença judicial que absolveu o ciclista. Depois da última prisão, um deputado conservador processou Irwin por exibicionismo, e a decisão do tribunal anunciada nesta quarta-feira foi de inocência.

Segundo a sentença, "o acusado não manteve atitude libidinosa ou de provocação sexual". Nem há "indícios de reclamar a atenção pública, nem insinuações ou provocações de caráter erótico ou excitação sexual".

Irwin disse ainda que não circula sem roupas para reivindicar direitos para os nudistas, apenas reclama liberdade de expressão para ele mesmo e porque considera "uma coação ser obrigado a fazer algo que nenhuma lei obriga".

Insistindo que não faz mal a ninguém, o ciclista reconhece que muitas vezes ouve queixas e palavrões na rua, mas diz que o problema não é dele. "Já me chamaram de porco, sem vergonha e outras coisas. Mas o problema não é meu, mas de quem olha", afirma.

"Quem me xinga, reflete o estado do seu coração", acrescenta. "O que deveria fazer é se limpar por dentro. Eu não julgo ninguém pela aparência porque o essencial está lá na alma e no coração."

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