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01/04/2009 - 06h41

É científico! Celular mata!

Minha implicância com os celulares virou lenda no restrito meio daqueles que acompanham minhas crenças e humores. Não irei fazer desfilar mais uma vez na passarela os males e as ridicularias do ubíquo objeto em questão. Simplificando: boa coisa, além do mais, achava eu, o celular não poderia ser.

Agora a ciência, numa de suas raras vezes, corre para me dar carradas de razão. A ciência, da qual injustamente debochei durante boa parte de minha vida, ainda outro dia mesmo surgiu com a história de que óleo de peixe não só é bom para nossa saúde, como pode mesmo chegar a salvar o mundo. Isso porque cientistas de reputação acima de qualquer suspeita chegaram à conclusão de que dar óleo de peixe para gado bovino e animais semelhantes reduz consideravelmente sua (lá dos bichos esses) emissão de flatulências, pestilentas ou não, ajudando assim a reduzir o nível do aquecimento mundial. Óleo de peixe - qualquer peixe - age como um elemento de contenção nas bactérias aninhadas nas entranhas dos irracionais em questão. Essas bactérias, por sua vez, são responsáveis pelas já mencionadas flatulências. Que representam mais de um terço das emissões de gás metano em nosso pobre planeta. Isso não é tudo. O óleo de peixe ainda por cima torna mais saudáveis e tenras as carnes que logo mais serviremos em nossa mesa ou nos será servida nas boas churrascarias.

Achei um deboche essa história de óleo, peixe e flatulência bovina. Ignorância minha. Provou-se, agora, por A mais B, e cientificamente, que os gases emitidos por boizinhos e vaquinhas são tão ou mais nocivos ao nosso meio ambiente do que as florestas inteiras que derrubamos todos os anos na Amazônia.

Estes fatos servem apenas de introdução à mais recente e legítima descoberta científica. Digo mais uma vez, mantendo o escândalo da exclamação: celular mata! Corre pela internet aquela história, ilustrada aliás, da experiência realizada por um internauta com mestrado científico, com um ovo e dois celulares. Certamente alguém aí já viu. Um ovo apertado entre dois celulares. Durante aproximadamente 65 minutos. Nos primeiros 15 minutos, nada acontece. Aos 25 minutos, o ovo começa a aquecer. Aos 45 minutos, o ovo está quente. Aos 65 minutos, o ovo estará cozido. Segue-se então uma foto ilustrando o tétrico fato. Mais a conclusão: a radiação emitida pelos celulares é capaz de modificar as proteínas do ovo. Imaginem, pois, o que ela pode fazer com as proteínas do nosso cérebro quando falamos no celular.

Agora, vejo diversos jornais categorizados publicando amplas reportagens criticando, em primeiro lugar, a falta de modos em "celularizar-se" (para criar um verbo) em lugares públicos tais como restaurantes, transportes públicos, teatros, cinemas e assim por diante. Registradas ainda as pesadas multas que pesam contra aqueles (em geral "aquelas") que celularizam enquanto dirigem. A parte científica é cética quanto à fritura dos cérebros humanos, embora não descarte de todo a probabilidade. Garante, no entanto, que o palrar constante no celular interrompe os processos naturais da mente humana. Em poucas e boas palavras: o papo celular prejudica consideravelmente a criatividade e a memória das pessoas.

Essa questão, e outra quase tão grave, a mania das teletextagens (os "torpedos") e o uso incontido do Twitter ("twitterização"?), não serão, pelo menos desta vez, discutidas pelo G20. Aguardemos a próxima reunião.

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