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01/04/2009 - 10h50

Filha de 'Fritzl italiano' foi obrigada a acusar desconhecido por gravidez

A suposta vítima de abusos sexuais por parte do pai e do irmão durante 25 anos em Turim, na Itália, afirmou ter ficado grávida do irmão, mas foi obrigada a acusar outra pessoa, segundo depoimento publicado nesta quarta-feira pelo jornal italiano La Repubblica.

"Meus pais me induziram a acusar um marroquino", teria afirmado "Laura", nome com o qual a suposta vítima foi identificada pela polícia. Conforme suas declarações, a moça de 34 anos teria engravidado em 1992, quando tinha 17 anos.

Segundo os investigadores, tratou-se de uma gravidez que se iniciou fora do útero, mas ela pensou que estivesse abortando. Foi levada pelos pais a um hospital, onde teria sido obrigada a dizer à polícia que havia sofrido um estupro, mas não confessou que o culpado era o irmão.

'Escrava' Nos depoimentos, feitos com a ajuda de um psicólogo, e entregues ao tribunal de Turim na terça feira, Laura se definiu como "a escrava de casa". Ela teria afirmado que pai e irmão travavam uma espécie de disputa por ela. O pai chegaria a pagar ate 300 euros (cerca de R$ 900) ao filho para que ele entregasse a irmã, que ele escondia.

As violências sexuais por parte do pai, Michele Mongielli, de 64 anos, e do irmão, Giuseppe, de 41, começaram quando Laura tinha 9 anos de idade, em 1984, e teriam ocorrido na casa onde a suposta vítima morava com os pais, na casa do irmão, e num galpão de propriedade da família, na periferia de Turim.

Segundo Laura, ela foi obrigada a abandonar a escola no início da adolescência. Tentou fugir e chegou a denunciar os abusos à polícia e a assistentes sociais, sem sucesso.

A polícia só começou a investigar o caso em 2008, após a última denúncia dela contra o irmão. Foram colocados grampos nos locais onde ocorriam as supostas violências.

De acordo com a promotoria, as escutas acusariam os dois homens "de forma inequívoca".

Segundo o La Repubblica, as transcrições das escutas telefônicas são cruéis e a linguagem que pai e filho usam para se dirigir a Laura é "humilhante".O advogado dos acusados vai pedir uma perícia psiquiátrica para a suposta vítima, que, segundo ele não é "confiável".

Na sua opinião, é preciso ouvir as gravações para identificar se as vozes são mesmo de Mongielli e seu filho.As gravações, assim como o depoimento de Laura, serão examinados na próxima sexta feira pelos magistrados de Turim.

Fritzl Os dois acusados, vendedores ambulantes de peças de metal que colhem pelas ruas, estão em prisão cautelar e podem ser condenados de três a 20 anos de prisão.O irmão de Laura também é acusado de abusar de suas quatro filhas e de outra irmã.As supostas vítimas estão recebendo assistência psicológica numa comunidade terapêutica para onde foram levadas.

A imprensa italiana compara o caso à história do austríaco Joseph Fritzl, condenado à prisão perpétua por ter mantido a própria filha em cativeiro durante 24 anos, período em que a violentava.

Mas segundo a promotoria, o caso é incomum porque a maioria dos outros membros da família, composta por dez filhos, defende o pai. Eles responsabilizam apenas o irmão pelos abusos, que segundo eles, teriam o consentimento das vítimas.

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