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03/04/2009 - 09h32

China busca mais influência para países emergentes

À medida que líderes mundiais se reuniam em Londres para a cúpula do G20 sobre a crise econômica, essa semana, mais atenção foi chamada para o que países emergentes como a China anunciariam no encontro. A China é a maior entre as economias emergentes dos BRICs, grupo que também inclui Brasil, Rússia e Índia.

Os chineses traduziram a sigla como "os quatro tijolos dourados", algo próximo do que o que o criador do conceito, Jim O'Neill, da Goldman Sachs, tinha em mente - parte dos "tijolos" da fundação da economia moderna. Apesar de os Brics não serem um grupo político, o PIB combinado destes países responde por mais de 15% do total mundial. E o grupo cresce mais rapidamente do que o resto do mundo. Líderes chineses prometeram manter o crescimento do país em torno de 8% nesse "ano muito difícil". As relações bilaterais entre China e os outros três países são próximas, em termos de comércio e aspirações compartilhadas.

A China vem demonstrando seu poder ao pedir mais voz no processo de reformas e administração do sistema financeiro internacional. A Rússia, no começo de março, propos criar uma nova moeda reserva, a ser emitida por instituições financeiras internacionais. Em seguida, o diretor do Banco Central chinês, Zhou Xiaochuan, deu as diretrizes de como os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês) poderiam ocupar o papel do dolar como unidade de reserva global. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que era importante discutir o assunto. Tanto China quanto Brasil afirmaram que a crise econômica e financeira surgiu no Ocidente. Os governos ocidentais e as instituições financeiras internacionais controladas pelo Ocidente não conseguiram evitar que a crise atingisse em cheio a economia global real.

Nos últimos 30 anos, a China se transformou de país focado em revoluções internas e, algumas vezes, externas, em país cujas reformas e aberturas provocaram uma onda de mudanças não apenas na riqueza nacional, mas também na forma com que seus líderes e habitantes veem o mundo externo. A crise global atingiu em cheio a China - como país que era tão dependente do crescimento de exportações - mas a China tem uma posição bastante forte, porque seus líderes ainda esperam um crescimento de cerca de 8% este ano. A China também lançou um pacote de estímulo de cerca de US$ 600 bilhões, para garantir que a retração não afete muito a criação de empregos. Além de tudo isso, os US$ 2 trilhões de reservas estrangeiras da China são um alvo óbvio para países e instituições que precisam de ajuda. Cerca de metade das reservas são investidas em bonds do governo dos Estados Unidos e em ativos correlatos.

Portanto, na cúpula do G20 em Londres, o presidente da China, Hu Jintao, assim como outros líderes ao redor da mesa, estiveram falando sobre coordenação de políticas macroeconômicas e enviando uma mensagem de consenso e confiança na recuperação da economia global. Mas Pequim buscará ter mais influência para si e para outros países de economias emergentes. O governo chinês indicou que pretendia contribuir para um fundo ampliado para países em desenvolvimento, mas que pressionaria por um progresso real na reforma do sistema financeiro e de suas instituições. Isso incluiria um calendário para implementar um reajuste do poder de voto da China no Fundo Monetário Internacional (FMI). A China também prometeu que usará seu poder de compra para ajudar outras economias abaladas, enviando missões comerciais a Europa e EUA e, quando apropriado, propor trocas de moedas com países em desenvolvimento, para garantir um crescimento sustentável no comércio bilateral. A retração do mercado internacional forçou a China a estimular o comércio doméstico e passar por reajustes difíceis na sua economia - que promete superar a do Japão em poucos anos.

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