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20/04/2009 - 17h46

Pai de atriz de vencedor do Oscar nega ter tentado vender a filha

O pai de uma menina que atuou no filme Quem Quer Ser Um Milionário, vencedor do Oscar deste ano, negou ter tentado vender a filha e disse ter sido alvo de uma operação "suja" armada por um jornal britânico.

O tabloide News of the Worlddisse que Rafiq Qureshi, pai da menina Rubina Ali, de nove anos, tinha pedido US$ 296 mil a repórteres que se fizeram passar por emissários de um rico xeque árabe que queria adotar a menina e levá-la para morar em Dubai.

O News of the World, que publicou fotos de Rubina e de seu pai durante um encontro com repórteres, disse ainda que Qureshi estava infeliz com o cachê recebido da produção do filme e queria uma forma de sair da favela onde vive. No filme, Rubina interpreta a personagem principal, Latika, na infância.

Nesta segunda-feira, em uma longa entrevista à BBC, Qureshi disse que não tinha aceito o acordo para vender a filha a pais adotivos e que a imprensa tinha "se divertido às custas da nossa pobreza". "Eles jogaram sujo conosco, mas não aceitamos nenhum dinheiro deles. Minha filha não está à venda", afirmou Qureshi, que é carpinteiro em Mumbai.

Encontros Conforme informações recebidas pela BBC, chamadas telefônicas teriam sido feitas para solicitar um encontro com Rubina e seu pai. Teria havido três encontros entre a última quinta-feira e sábado.

"Naquelas ligações, eles disseram que um rico casal árabe tinha ficado comovido ao ver Rubina na TV Al-Jazeera. O xeque e sua esposa estavam muito tristes ao ver a situação dela e haviam decidido ajudar. Então concordamos em encontrá-los", disse Qureshi.

Houve três encontros, dois em hotéis em Mumbai e um durante uma visita do repórter ao barraco da família na favela Bandra. Qureshi disse que na última reunião, no sábado, pediram-lhe que falasse com alguém pelo telefone, e a pessoa o agradeceu por ele ter permitido que Rubina fosse adotada."Foi então que me ocorreu que eles estavam fazendo um acordo por minha filha. Eu desliguei o telefone e disse que estávamos saindo do hotel", disse.

Mas a família acabou ficando para tomar chá. Qureshi disse que ainda recebeu uma oferta de 500 mil rúpias como adiantamento. "Nós recusamos, mas eles ficavam repetindo que se aceitássemos a oferta o dinheiro seria providenciado em cinco minutos", afirmou.

Qureshi disse que só no domingo, ao ver as reportagens sobre o caso na televisão, ficou sabendo que as pessoas com quem havia se encontrado eram na verdade repórteres. Vizinhos Os vizinhos de Qureshi ficaram surpresos com as notícias. "Sabemos o quanto ele ama sua filha. Podemos ser pobres, mas temos amor próprio. Não vendemos nossas crianças não importa quão grande seja a tentação", disse um dos vizinhos, Mohammed Shakeel.

Priti Patkar, diretor da organização não-governamental Prema, que faz campanha pelo bem estar de crianças, disse que falar com Rubina foi "anti-ético" da parte da imprensa.

"A polícia local e comitês pelo bem estar das crianças deveriam analisar imediatemente o assunto e tomar as providências necessárias contra quem quer que seja o culpado", disse.

Shireen Miller, representante da entidade britânica Save the Children radicada em Nova Déli, disse que abusos e exploração de crianças são "um problema sério" no país e que são necessárias leis rígidas para proteger essas famílias de agentes e intermediários".

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