UOL Notícias Notícias
 

25/04/2009 - 12h57

Diante de epidemia, mexicanos mudam os hábitos

A diminiução no número de pessoas, carros e o pouco barulho nas ruas da normalmente agitada Cidade do México poderiam ser sinais de apenas um dia tranquilo, não fosse a quantidade de pessoas andando pelas ruas com máscaras cirúrgicas. Desde a manhã de ontem, a cena tomou conta da paisagem da grande metrópole, onde a população tem percepções e atitudes bem distintas em relação à epidemia de gripe suína que se espalha pelo território mexicano. "Nós, mexicanos, não nos caracterizamos por sermos um povo preventivo. Por isso, medidas como o cancelamento das aulas dá a entender que a situação já é mesmo preocupante", disse à BBC Brasil David Rojas, diretor de operações de um grupo que conta com 40 lojas. "Temos mais de mil funcionários e chegamos a receber mil clientes por dia, o que torna imprescindível diminuir o risco de contágios em nossas lojas", disse. Sofia Gargari, profissional de Recursos Humanos de um grande hotel da cidade, concorda com Rojas. "Aqui sempre se tem a idéia de que as coisas não são tão sérias quanto parecem", comentou. Desta vez, no entanto, Gargari disse ter percebido que a situação é diferente. "Redobramos os cuidados com a higiene, mas sem alarde", afirmou. 'Clima de medo' Na noite de quinta-feira, o Ministro da Saúde mexicano, José Córdova, anunciou a suspensão de aulas e pediu a colaboração da população para evitar a propagação da doença. "Foi o suficiente para detonar um clima de preocupação e medo", disse Edgar Gómez, gerente de uma rede de farmácias. "Em nossas cinco lojas, vendemos cerca de 250 mil máscaras em um único dia. Em geral, este número não passa de 15", afirmou ele. O produto mais requisitado de toda a sexta-feira foi rapidamente incorporado ao menu de opções dos vendedores ambulantes nos grandes cruzamentos. Com pouca informação, a população também correu aos centros médicos em busca de vacina. Teorias da conspiração A incerteza e a preocupação entre a população rapidamente deram origem a rumores e a uma série de teorias sobre o que de fato está acontecendo na região. Para a estudante de Ciências Políticas Alejandra Mata, não há dúvidas do risco de contágio. "Mas acho que a atenção que se está dando ao tema pode ser uma manobra política para desviar a atenção de problemas mais importantes", disse ela à BBC Brasil. Já o consultor Andrés Sanchez analisa o que ele considera as possíveis origens da doença; "Nos dias atuais, não duvido que possa ser uma nova arma biológica usada pelos narcotraficantes para intimidar a população. Tudo é possível", afirmou. Acostumado a observar o comportamento das pessoas na saída do metrô Insurgentes, que recebe mais de 50 mil passageiros por dia e onde trabalha como engraxate, Juan Garcia acredita que o temor foi a palavra que regeu a sexta-feira. "Mas logo todos estarão despreocupados e só usarão a epidemia como desculpa para ficar em casa e não cumprir com suas obrigações", disse. Eventos cancelados Na noite de sexta-feira, muitos mexicanos afirmaram que evitariam aglomerações até terem mais informação sobre a epidemia. "Estamos assustados porque a orientação muda ao longo do dia", disse Miriam Gaydan, funcionária de um escritório de advocacia.

"Na dúvida, ficarei em casa nos próximos dias, esperando para ver o que acontece", contou. Mesmo que tivessem vontade de sair, as opções não seriam muitas. Seguindo a recomendação das autoridades de saúde, mais de cem estabelecimentos - como teatros, museus, bibliotecas e casas de espetáculos - ficarão com as portas fechadas durante o fim de semana, totalizando 550 eventos cancelados. Alguns restaurantes consideram fechar as portas até segunda-feira devido à queda no fluxo de clientes. Eventos esportivos de massa, como jogos de futebol ou o passeio semanal de bicicleta por avenidas centrais da cidade, também terão de ser cortados das agendas. Quem quiser ver o clássico jogo entre Pumas e Chivas terá que se contentar com as imagens da TV, já que o confronto se dará com as portas do estádio fechadas ao público.

Vida 'normal' Mesmo diante de tanto alarde, há uma minoria que não pensa em mudar seus hábitos. O universitário Fernando Ojeda, disse acreditar que a situação é séria, mas que a preocupação não pode virar paranóia.

"Se o estádio estivesse aberto, com certeza não faltaria ao jogo de domingo", disse, lamentando que ontem "os cumprimentos foram sem beijos ou abraços".

A fotógrafa Lenka Margetova, também não pensa em deixar de sair no fim de semana. "Acho que estão exagerando." Lenka disse que, ao tossir no supermercado - segundo ela, por causa do cigarro -, uma senhora chamou sua atenção por estar sem máscara. "Ela disse que eu ia contaminá-la", contou. Os turistas aparentam estar tranquilos. Os ônibus de turismo continuam circulando pela capital e os viajantes afirmam que, até que haja uma recomendação contrária, seguirão com seus planos. "Vi que muita gente usava máscaras e achei que fosse por conta da poluição. Não sabia de nada, mas acho que não deve ser assim tão sério", disse o americano que não quis se identificar, enquanto tirava fotos do Anjo da Independência, principal monumento da cidade.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,44
    3,190
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    0,14
    76.390,52
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host