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25/04/2009 - 16h22

Itamaraty aposta em relação 'mais favorável' com Equador

Após um período de "estranhamento" entre os dois países, o governo brasileiro trabalha com um cenário "mais favorável" nas relações com o Equador para os próximos anos.

A visão do Itamaraty é de que o Equador vinha de um período de "transformações" e que, com a provável reeleição neste domingo, o presidente Rafael Correa terá espaço político para "baixar o tom" em seus discursos contra empresas estrangeiras, incluindo as brasileiras.

"Os problemas que tivemos no ano passado foram fruto de um período de transformações no país. E tudo indica que essa fase está se dissipando", disse um diplomata à BBC Brasil.

Em outubro, o governo equatoriano decidiu expulsar a brasileira Odebrecht do país, alegando falhas na hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa.

Um mês depois, o presidente Correa suspendeu o pagamento pela obra, que havia sido financiada pelo BNDES. O pedido de anulação da dívida, no valor de US$ 243 milhões, foi levado à Câmara de Comércio Internacional sem que o governo brasileiro fosse consultado - gerando um mal-estar entre os dois países.

O Itamaraty diz que o episódio foi um "mal entendido" e que as relações entre os dois países melhoraram. "Mas ainda não estão 100% normalizadas", diz o diplomata.

A avaliação é de que, com um novo mandato, Correa poderá governar sem a pressão política que o levou a adotar um discurso contrário ao capital estrangeiro.

Segundo plano Um dos grandes projetos conjuntos entre Brasil e Equador é a construção do Eixo Multimodal Manta-Manaus, um complexo de vias fluviais, terrestres e aéreas que atravessará os dois países, ligando o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico.

O projeto, no entanto, foi colocado "em segundo plano" pelo governo brasileiro, até que a situação com o BNDES seja totalmente resolvida.

Apesar de a dívida ainda estar sendo analisada pela Câmara de Comércio Internacional, duas parcelas já foram pagas. A terceira e última parcela vence em junho e, se quitada, será vista pelo governo brasileiro como um sinal "extremamente positivo". "Aí sim as relações poderão voltar a bem próximo do que era antes", diz o diplomata.

Lula ou Chávez? Apesar do discurso nacionalista do presidente equatoriano e de uma nova Constituição com cunho estatizante, os analistas de mercado também apostam na retomada das relações entre Brasil e Equador sob um novo mandato de Correa.

O motivo está na crise financeira e na queda do preço do petróleo. Segundo analistas, o presidente do Equador vai precisar "ainda mais" do Brasil nesse segundo mandato.

"Seria imprudente nesse momento se aproximar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que também está perdendo forças em função da queda do petróleo", diz o analista para América Latina de um banco alemão. Ainda de acordo com o economista, as portas de Washington estariam "fechadas" para o Equador, sobretudo em função da moratória da dívida externa, decretada no final do ano passado.

"Se o presidente Correa tiver uma postura racional, ele vai procurar restabelecer as relações com o Brasil", diz o analista.

O analista Gilberto Souza, da BES Investimentos, diz que o Equador "precisa muito mais do Brasil do que o contrário" e que a economia equatoriana passa por "maus momentos".

"O Equador é responsável por apenas 0,1% da produção da Petrobras, por exemplo. Claro, nunca é bom perder dinheiro. Mas se alguma coisa acontecer, quem sai perdendo é a economia equatoriana", diz.

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