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26/04/2009 - 06h54

De olho na crise, equatorianos vão às urnas

Os equatorianos vão às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente do país e o candidato à Presidência que sair vitorioso terá como principal desafio driblar o impacto da crise econômica internacional na frágil economia do país andino.

Espera-se que mais de 10 milhões de equatorianos compareçam às urnas neste domingo.Além da Presidência, os equatorianos elegem centenas de candidatos à cargos públicos, entre eles prefeitos, vereadores e parlamentares. Favorito, o atual presidente Rafael Correa também aposta na conquista de uma ampla maioria das cadeiras na Assembléia (Congresso) de olho na consolidação de seu projeto de "revolução cidadã". A oposição, por sua vez, chega dividida ao pleito, e traz como principais candidatos o ex-presidente Lucio Gutiérrez, do partido Sociedade Democrática (nacionalista) e o rico empresário Álvaro Noboa, do partido Renovador Institucional de Ação Nacional (direita).

Crise Correa pretende alcançar a maioria no Parlamento - entre 65 e 70 lugares dos 124 em disputa. Dessa forma, ele poderia garantir estabilidade interna e concentrar os esforços em enfrentar os efeitos da crise financeira que já começa a assustar aos equatorianos. "Com maioria na Assembléia, o governo não dependerá das turbulências do regime político interno, porque para poder garantir a governabilidade, o presidente terá que enfrentar os fatores da crise econômica internacional, sob os quais não tem nenhum controle", afirmou à BBC Brasil Adrián Bonilla, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais no Equador. Antes mesmo da chegada da crise financeira à América Latina, o governo equatoriano viu despencar o ingresso proveniente dos dois principais motores da economia: o petróleo, responsável por 42% da receita nacional e as remessas dos imigrantes equatorianos no exterior, estimado em 1,5 milhão de pessoas.

De acordo dados do Observatório de Política Fiscal (OPF) o envio de dinheiro dos imigrantes poderá sofrer uma redução neste ano de até 30% com relação a 2008, o equivalente a cerca de US$700 milhões (R4 1,5 bi). No caso do petróleo a redução em relação ao ano passado pode ser de o equivalente a US$8 bilhões (R$ 17 bi). Em 2008, o barril teve uma média de cotação de US$83 (R$181). Esta semana o barril fechou com uma pequena alta de US$48 (R$105). "Os pilares que sustentam a economia estão no chão. Se a isso agregamos a redução da demanda das exportações não-petroleiras (banana, camarão e flores) e um menor fluxo de crédito e capital, o panorama é ainda pior", afirmou à BBC Brasil Jaime Carrera, diretor do OPF. Social Defensor do chamado "Socialismo do Século 21", que tem entre seus ideólogos o venezuelano Hugo Chávez, Correa disse que, apesar da crise, continuará privilegiando os programas sociais e que se for preciso, deixará de pagar a dívida externa.

"Primeiro nossa gente, primeiro o setor social, depois o (pagamento) da dívida (...). Pela primeira vez nas últimas décadas, o investimento social supera com vantagem o pagamento da dívida externa", acrescentou. No Equador, 35% da população de um universo de 14 mihões de pessoas, vivem na pobreza. O governo equatoriano já suspendeu o pagamento de uma parte dos bônus da dívida externa, alegando que são ilegítimos, e propôs sua renegociação com um desconto de 70% do valor total.

Os analistas concordam que o governo terá de enxugar os gastos públicos, podendo começar optar pela redução das obras de infra-estrutura, medida que afetaria as empreiteiras brasileiras que prestam serviços ao Equador. Pleito O presidente Rafael Correa e as demais autoridades que hoje governam iniciaram seus mandatos em janeiro de 2007. No entanto, as eleições gerais foram antecipadas por causa da nova Constituição, aprovada em referendo em outubro do ano passado. Agora, as autoridades equatorianas que forem eleitas deverão governar e legislar sob as regras da nova Carta Magna.

Se confirmada a vitória de Correa, o presidente equatoriano reiniciará seu mandato de quatro anos, com a possibilidade de candidatar-se à reeleição em 2013, conforme prevê a nova Constituição.

Pela primeira vez no Equador, policiais, militares, presos que ainda não foram sentenciados e jovens a partir dos 16 anos poderão votar. Cerca de 200 observadores, nacionais e internacionais, acompanham o pleito no país andino.

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