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01/06/2009 - 06h31

Em El Salvador, Lula prestigia posse do 'discípulo' Funes

[selo]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assiste nesta segunda-feira à cerimônia de posse de Maurício Funes na capital de El Salvador, San Salvador, onde chegou na noite de domingo.

Funes, um jornalista de 49 anos que ingressou há dois anos no ex-grupo guerrilheiro convertido em partido político Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), será o primeiro líder de esquerda a assumir o poder em El Salvador.

O principal nome por trás da campanha do salvadorenho foi o marqueteiro João Santana, que trabalhou na campanha de reeleição de Lula.
A campanha de Funes contou com o envolvimento de cerca de 20 profissionais brasileiros e utilizou símbolos como a estrela vermelha semelhante à do Partido dos Trabalhadores (PT).

O salvadorenho esteve no Brasil mais de uma vez durante a disputa presidencial e assim que conquistou a presidência salvadorenha embarcou para Brasília, onde se encontrou com presidente Lula e apontou o brasileiro como sendo a sua principal referência política.

No ano passado, Lula esteve em El Salvador, em uma visita oficial, e deu uma entrevista coletiva ao lado de Funes, que então era apenas um candidato, causando mal estar entre representantes do governo do direitista Elías Antonio Saca González, segundo a imprensa salvadorenha.

Primeira-dama paulistana
A nova primeira-dama de El Salvador, a advogada paulistana Vanda Pignato, que será a titular da Secretária de Inclusão Social - cargo determinado para as esposas de presidentes pela Constituição salvadorenha - ingressou no PT no período de formação da legenda, nos anos 80, e exerceu o posto de representante do partido na América Central, desde que se mudou para El Salvador, em 1992.

O casal tem dois filhos. O mais novo nasceu durante a disputa presidencial, no ano passado, quando Vanda tinha 45 anos.

Tanto Funes como a primeira-dama foram casados antes. O primeiro marido de Vania, o salvadorenho Ernesto Zelayandía, irá, por sinal, exercer o cargo de vice-ministro de governo, durante a gestão do novo presidente.
O novo líder salvadorenho foi casado com a atriz e jornalista Regina Caña com quem tem um filho. Regina é descrita pela imprensa local como a ''Xuxa salvadorenha'', em referência à célebre personagem infantil que interpreta na TV, Tia Bubu.

Durante a disputa presidencial, Rodrigo Ávila, o candidato do partido governista Aliança Republicana Nacionalista (mais conhecido pela sigla Arena), acusou a Funes de estar ligado ao venezuelano Hugo Chávez e de que sua vitória representaria a adoção de um modelo de governo semelhante ao da Venezuela.

"Eles fizeram uma aposta, mas foi uma aposta equivocada. Ao tentar associar Funes a Chávez, ele respondeu procurando se associar a Lula, e venceu a disputa'', comenta o jornalista salvadorenho Carlos Dáda, editor do portal de notícias eletrônico El Faro.

Salvadorenhos ouvidos pela BBC Brasil nas ruas da capital do país se disseram satisfeitos com a associação entre o novo presidente e o líder brasileiro.

O arquiteto José Luís Cruz, de 28 anos, conta não ter votado em Funes, por julgar que ele "não era o melhor para a minha carreira", mas diz que o novo líder "me parece alguém muito racional e me deixa relaxado o fato de ele buscar inspiração em Lula da Silva, que é uma pessoa de esquerda moderada, não de esquerda extrema''.

"Não sou contra o capitalismo ou contra o socialismo. A eleição de Funes pode ser um meio termo entre os dois sistemas", acrescenta.
"Me tranquiliza que Funes busque o presidente brasileiro como um aliado, que tenha Lula como modelo, mas me preocupa quando ele busca se aproximar de Chávez e de Cuba, porque são modelos que já demonstraram que não oferecem nada'', disse o consultor de informática Vinícius Valencia, de 36 anos.

Área de influência
Apesar das proximidades entre Lula e Funes, o fluxo de comércio entre Brasil e El Salvador ainda é bastante pequeno. Em 2008, o fluxo comercial entre as duas nações foi de 252,5 milhões.

O Brasil parece interessado em se aproveitar do fato de que os Estados Unidos, que tinham na América Central e em El Salvador em particular uma forte área de influência, parecem ter deixado a região em segundo plano.
Desde os anos 80, diferentes governos americanos vinham destinando fundos aos governos direitistas que dominaram o país centro-americano por duas décadas e até mesmo aos grupos paramilitares que atuavam no país travando uma guerra subterrânea contra a guerrilha esquerdista.
Como prova da importância que destinavam à região, os Estados Unidos construíram na época em San Salvador uma gigantesca embaixada - uma das maiores representações diplomáticas do país em todo o mundo.

Os americanos temiam que o país seguisse o rumo de Cuba, que instaurou um regime socialista em 1959, ou da Nicarágua, onde os guerrilheiros de esquerda da Frente Sandisita de Libertação Nacional conquistaram o poder em 1979.

Um exemplo de que os americanos parecem tentar recuperar o terreno perdido é o de que o país irá prestigiar a posse do novo líder salvadorenho munido de uma delegação de alto nível, encabeçada pela secretária de Estado Hillary Clinton, que chegou a San Salvador no domingo.

A delegação conta ainda com Thomas Shannon, que ainda exerce o posto de secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, mas que recentemente foi indicado para ser o novo embaixador americano em Brasília, e de Dan Restrepo, diretor de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional.

"É um sinal de que eles estão dando importância à eleição de Funes. No passado, teriam enviado apenas nomes secundários. Eu não duvidaria de que os americanos estão, inclusive, agindo de comum acordo com o Brasil, porque tanto um quanto outro querem anular a influência que Chávez pode vir a ter em El Salvador'', afirma Carlos Dáda.

A posse de Funes acontece às 8h30h do horário local. Após a solenidade, o presidente Lula participará de um almoço oferecido pelo novo líder salvadorenho e a primeira-dama do país e, de lá, nesta segunda à tarde, já partirá para o aeroporto, onde seguirá para a Guatemala, o segundo ponto de seu giro-centro americano.

O presidente passará menos de 24 horas na Guatemala e partirá, na terça-feira à tarde, para a Costa Rica, de onde retornará ao Brasil, na quarta-feira.

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