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14/06/2009 - 12h29

Desafio de organizar Copa das Confederações contagia sul-africanos

Espécie de balão de ensaio para a realização do Mundial de 2010, a Copa das Confederações que começa neste domingo na África do Sul está sendo vista por muitos no país como um desafio que, se bem sucedido, pode sinalizar o início de uma nova fase.

"Não acredito que vamos sediar uma Copa do Mundo, isso parece um sonho. Se alguém dissesse há 15 anos que iríamos organizar um torneio tão importante, qualquer um aqui daria risada de sua cara", disse o motorista Musa, morador de Johanesburgo à reportagem da BBC Brasil.

O pensamento ecoa o do responsável pela organização tanto da Copa das Confederações como da Copa do Mundo, Danny Jordaan.

Em entrevista recente à BBC, ele afirmou que "os estádios estão quase prontos, os ingressos sendo vendidos e os planos estão sendo seguidos. O sonho virou realidade e o jogo já começou".

Grandes desafios Organizar uma Copa do Mundo realmente parece um feito respeitável para um país que, até 1991, era banido pela Fifa, como sanção contra as políticas do apartheid. Durante a década de 1990 o país viveu um processo de reconciliação entre a população branca e negra. De forma geral, a transição ocorreu de forma pacífica e o crédito disto é geralmente atribuído a Nelson Mandela, prêmio Nobel da Paz que se tornou, em 1994, o primeiro presidente do país em sua fase democrática. Mas a África do Sul tem problemas sérios e a esperança geral é que muitos deles melhorem até 2010. Criminalidade e transporte são alguns deles. O governo contratou mais de 40 mil novos policiais e investiu mais de US$ 160 milhões em segurança. A administração federal promete ainda melhorias para o transporte público, praticamente inexistente em Johanesburgo, a maior cidade do país, com mais de 5 milhões de habitantes. Além disso, foram construídos cinco novos estádios e outros cinco receberam reformas profundas para se adequarem aos padrões internacionais exigidos pela Fifa. Torcida Neste domingo, como boa parte dos Joburgers, o apelido dos moradores da cidade, o motorista Musa veste a camisa amarela da seleção sul-africana. O time é conhecido como "Bafana Bafana" (algo como "os garotos") e, embora não seja exatamente uma potência futebolística, conseguiu capturar o imaginário nacional. "Eles são demais, vamos torcer muito por eles", diz, na porta do estádio Ellis Park, antes da estreia do time contra o Iraque, a vendedora de bandeiras Ann. Logo após, fecha a cara e pergunta: "Você não vai comprar nada?". Mas a expressão carregada é apenas brincadeira e o sorriso esparramado não tarda a surgir quando percebe que está falando com um brasileiro. "Brasil! Brasil! Os garotos do samba! Vocês vão gostar muito da África do Sul. E devem ganhar a Copa também. Sejam bem-vindos, agora e ano que vem", diz ela. Ann diz que não espera ganhar muito dinheiro vendendo bandeiras, "apenas um pouco para ajudar". Ela não diz como conseguiu chegar a uma área restrita ao redor do estádio, que tem o acesso permitido apenas aos que têm ingresso. E a animadíssima torcida sul-africana se faz perceber à distância. Batucando seus intrincados ritmos, eles entoam cânticos intermediados por refrões inesperados como "Fifa! Fifa! Fifa!", que são ditos sem ironia aparente nenhuma. "O futebol é o esporte mais popular do país. Vamos fazer de tudo para que este torneio seja um sucesso", diz o motorista.

Sonhos O presidente do comitê organizador, Jordaan disse à BBC que "quando estrangeiros descrevem nosso país, a imagem é bastante negativa".

"Ao sediar um evento tão grande, queremos mudar isso, mostrar que podemos organizar uma Copa do Mundo que mostre o melhor da África do Sul", disse ele.

O ativista anti-apartheid afirma que "primeiro sonhamos que um dia a África do Sul seria uma sociedade democrática e não racista".

"Depois, que voltaríamos a pertencer à Fifa. Finalmente, sonhamos que esse país pudesse ser sede da Copa do Mundo algum dia. O sonho se cumpriu e me sinto privilegiado por ter podido contribuir para que isso acontecesse", disse ele.

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