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09/07/2009 - 08h25

Jornal acusa tabloides britânicos de grampear até 3 mil telefones de famosos

O grupo de mídia por trás dos tabloides britânicos News of The World e The Sun teria pago em segredo mais de 1 milhão de libras (cerca de R$ 3,2 milhões) para evitar processos judiciais nos quais seus jornalistas eram acusados de envolvimento no grampo de até 3 mil telefones de figuras públicas da política, do esporte e do entretenimento.

As acusações partiram do jornal britânico The Guardian, em sua edição desta quinta-feira, que afirma que os tabloides contratavam detetives particulares que "invadiam" ilegalmente os celulares das celebridades para conseguir acesso a dados pessoais confidenciais, como contas e extratos bancários.

Entre as "vítimas", segundo o jornal, estariam a atriz Gwyneth Paltrow, a modelo Elle Macpherson, o cantor George Michael, o prefeito de Londres, Boris Johnson, e a apresentadora Nigella Lawson. O jornal diz ainda que a polícia sabia dos grampos, mas na época não alertou as pessoas atingidas.

Horas depois da publicação da série de reportagens do Guardian, a polícia anunciou que vai "examinar" as alegações.

O News Group Newspapers, dono dos tabloides e também do jornal The Times, é uma subsidiária do grupo News International, e pertence ao magnata da mídia Rupert Murdoch.

Questões Segundo o Guardian, cerca de 700 mil libras (aproximadamente R$ 2,3 milhões) da quantia oferecida pelo grupo foi paga como indenização por danos ao presidente da Associação Profissional de Jogadores de Futebol britânica, Gordon Taylor, que também teria tido seu celular grampeado.

O acordo judicial, no entanto, previa que os detalhes do caso não fossem tornados públicos.

"Este caso não tem importância para ninguém aqui, e já falamos com todas as pessoas que poderiam estar envolvidas", minimizou um porta-voz do News International.

Mas o ex-vice-primeiro-ministro John Prescott, que também teria sido "vítima" dos tabloides, disse que as acusações do Guardian levantam várias questões que precisam ser respondidas em novas investigações.

"Se a polícia sabia dos grampos, por que não nos contaram? Por que o News of the World não foi indiciado?", questionou Prescott, em entrevista à BBC.

O ministro do Comércio, Peter Mandelson, também pediu uma nova investigação do caso.

Partido Conservador O Guardian lembra, ainda, que o atual diretor de comunicações do Partido Conservador britânico, Andy Coulson, era editor do tabloide na época dos grampos.

Mas, nesta quinta-feira, o líder do partido, David Cameron, o defendeu, dizendo que foi por causa dessa "violação de privacidade" que Coulson teria pedido demissão, há dois anos e meio.

Em 2006, o repórter Clive Goodman, encarregado de cobrir os assuntos da família real britânica para o News of the World, foi preso depois de admitir ter invadido mensagens telefônicas de funcionários do Palácio de Buckingham. Um detetive particular também foi preso por envolvimento no caso.

Na época, Coulson negou que soubesse do que estava ocorrendo.

Em entrevista à agência de notícias financeiras Bloomberg, Rupert Murdoch também negou saber sobre os supostos pagamentos a detetives particulares e os grampos telefônicos.

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