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09/08/2009 - 16h24

Cúpula da Unasul, em Quito, ocorre em momento delicado para a região

Os países que formam a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reúnem nesta segunda-feira, em Quito, em um momento delicado para a região, com troca de acusações, desconfianças e uma crise diplomática. Mesmo com uma agenda repleta de assuntos mal resolvidos, a reunião desta segunda-feira será "apenas protocolar", segundo um diplomata. As discussões mais significativas devem ficar para depois. Havia a expectativa de que os líderes presentes fizessem algum pronunciamento quanto à instalação de bases militares americanas em terreno colombiano. O governo brasileiro, no entanto, já descartou essa possibilidade. O acordo militar resultou não apenas no congelamento das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, como também despertou a desconfiança em outros países, entre eles o Brasil, sobre os verdadeiros motivos da operação. A lista de problemas da região inclui ainda uma acusação contra o presidente do Equador, Rafael Correa, que teria recebido ajuda financeira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante sua campanha presidencial. Enquanto isso, a Colômbia diz ter apreendido uma série de armamentos com as Farc que pertenciam originalmente ao governo venezuelano. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, diz que os equipamentos foram roubados e acusa os Estados Unidos de estarem "estimulando" uma guerra entre Venezuela e Colômbia. A Unasul foi criada em maio de 2008 como um bloco político voltado, principalmente, para a contribuição da estabilidade política da região. Agenda esvaziada Segundo um diplomata brasileiro, os recentes conflitos políticos deverão ficar de fora do documento final da cúpula. A ideia é que o texto dê ênfase à economia regional e ao papel da Unasul como "um importante interlocutor" dos países árabes e dos países africanos. Com a agenda oficial esvaziada, a novidade deve vir dos discursos. A expectativa é de que Chávez peça a palavra para, entre outros objetivos, criticar o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos. Nas últimas semanas, o chanceler Celso Amorim chegou a sugerir que o Conselho de Defesa fosse convocado para discutir o assunto, mas a ausência de Uribe em Quito acabou enterrando essa possibilidade. A diplomacia brasileira criticou o fato de a Colômbia não ter "conversado" com seus parceiros no continente sobre o acordo com os americanos e que o assunto "merecia" ser levado ao Conselho, do qual a Colômbia faz parte. Como não estaria em Quito para a cúpula, Uribe passou os últimos dias visitando alguns lídere da região, entre eles o presidente Lujla. Na conversa, Uribe teria reclamado do fato de que nem todos os países da região são cobrados como acontece agora com a Colômbia. 'Sem sustos' A estratégia do Itamaraty é passar pela cúpula de Quito "sem grandes sustos", segundo um diplomata. Com isso, ganha-se mais tempo para lidar com as questões mais delicadas que pairam sobre a região. Durante o encontro desta segunda-feira, os presidentes devem formalizar a criação de quatro novos conselhos no âmbito da Unasul, nas áreas de educação, infraestrutura, desenvolvimento e combate ao narcotráfico. A avaliação do governo brasileiro é de que a consolidação da Unasul como um grupo coeso e de peso político passa, principalmente, pela atuação dos conselhos. A cúpula de Quito marca, ainda, a transferência da presidencia temporária da Unasul do Chile para o Equador.

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