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09/08/2009 - 16h41

Futuro da Unasul depende de "equilíbrio" da postura brasileira, dizem analistas

A consolidação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) como um grupo político legítimo e de peso internacional depende de como o Brasil vai lidar com as divergências na região, avaliam especialistas. O analista Moisés Naím, editor-chefe da revista Foreign Affairs, diz que o Brasil é visto como um ator "confiável" na região e que, por isso cabe a ele desempenhar o papel de intermediador entre as disputas. Mas o governo brasileiro precisa ter uma postura "mais equilibrada", na avaliação de Naím. Segundo ele, o Itamaraty deu um "mal sinal" ao criticar abertamente as bases americanas na Colômbia e ao mesmo tempo "ignorar" o fato de armamentos da Venezuela terem sido encontrados com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Foi um sinal equivocado do Brasil, que parece tratar os países da Unasul com dois pesos e duas medidas", diz Naím. Poupando Chávez Segundo ele, o futuro da Unasul como um bloco de credibilidade depende mais da atitude brasileira do que de qualquer outro país da região. "Se o Brasil, que é tido como o país mais equilibrado da região, tiver uma postura parcial, o que esperar do bloco?", questiona o analista. Sua opinião é de que o Itamaraty vem adotando a estratégia de "poupar" o presidente Hugo Chávez, "a todo custo" - e que essa decisão pode comprometer a imagem da Unasul perante a comunidade internacional. Naím diz ainda que a Unasul está com uma "agenda lotada", que inclui não apenas a questão das bases militares, mas também a crise diplomática entre Colômbia e Venezuela e também com o Equador. "Tudo indica que nenhum desses assuntos será discutido em Quito. E caberia ao Brasil, principalmente, liderar essa discussão", diz. Interesse brasileiro O cientista político Marcelo Coutinho, coordenador executivo do Observatório Político Sul-Americano, do Instituto de Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), diz que a Unasul enfrenta seu "segundo grande teste", desde que foi criada, em maio do ano passado. O primeiro teste aconteceu ainda em 2008, quando o bloco contribuiu para dissolver um impasse entre governo e oposição na Bolívia. O teste atual, segundo Coutinho, será "mais complicado" e vai exigir um esforço ainda maior da diplomacia brasileira. Isso porque, a partir desta segunda-feira, a Unasul passa a ser presidida por Rafael Correa, do Equador. "Sabemos que Correa tem uma postura menos parcial, com posicionamentos mais fortes", diz o professor do Iuperj. Ele também concorda que a consolidação da Unasul depende principalmente de como o Brasil se posiciona diante dos conflitos regionais, "mesmo porque o Brasil é o mais interessado no bloco", diz. "O esforço do Brasil pela criação da Unasul reflete o interesse do Brasil em ser o líder da região dentro do Conselho de Segurança nas Nações Unidas", diz.

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