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14/08/2009 - 18h25

Geleira da Antártida derrete quatro vezes mais rápido que há dez anos, diz estudo

Uma das maiores geleiras da Antártida está perdendo espessura quatro vezes mais rápido do que há dez anos, de acordo com uma pesquisa liderada pela University College de Londres (UCL). Um estudo das medidas tomadas por satélite da geleira Pine Island, no oeste da Antártida revelou que a superfície do gelo está baixando 16 metros por ano. Desde 1994, a geleira baixou em até 90 metros, o que traz graves implicações para o aumento do nível do mar. Cálculos feitos com base na taxa de derretimento registrada há 15 anos sugeriram que a geleira poderia durar 600 anos. Mas, de acordo com as novas informações, a geleira poderá durar apenas mais 100 anos. A taxa de perda de gelo é mais rápida no centro da Pine Island e os pesquisadores temem que, se o processo continuar, a geleira poderá se quebrar e começar a afetar a camada de gelo do continente. A pesquisa foi liderada pelo professor Duncan Wingham, do University College de Londres e publicada na revista científica Geophysical Research Letters Três centímetros O professor Andrew Shepherd, , da Universidade de Leeds, um dos autores da pesquisa, afirmou que o derretimento no centro da geleira vai aumentar em três centímetros o nível global do mar. "Mas o gelo preso atrás da geleira é de cerca de 20 a 30 centímetros de aumento do nível do mar e, assim que desestabilizarmos ou retirarmos a parte do meio da geleira, não sabemos o que vai acontecer com o gelo na parte traseira", disse Shepherd. "É algo sem precedentes nesta região da Antártida. Sabíamos que havia o desequilíbrio há algum tempo, mas nada no mundo natural está perdendo a uma taxa de aceleração exponencial como esta geleira", acrescentou. A geleira Pine Island vem sendo estudada nos últimos anos em meio ao temor de que poderá desabar e levar a uma rápida desintegração da calota polar no oeste da Antártida. Há cinco anos foi realizado um voo conjunto da Marinha do Chile e da Nasa (a agência espacial americana) que durou 11 horas para analisar a geleira com radar e equipamento a laser. A viagem, que saiu de Punta Arenas, incluiu uma série de sobrevoos baixos sobre a gigantesca geleira, que tem 32 quilômetros de largura e 1,6 quilômetro de espessura. Naquela época, os pesquisadores a bordo do voo já se preocupavam com a velocidade da mudança que detectavam na geleira. Este último estudo dos dados de satélite será mais uma informação para alarmar os especialistas polares. Mudança dramática Esta nova descoberta ocorre num momento em que os cientistas no continente Ártico encontram provas de uma mudança dramática. Os pesquisadores a bordo de um navio do Greenpeace estudaram a parte noroeste da Groenlândia. Um dos que participaram da pesquisa, o professor Jason Box, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, foi surpreendido pela pouca quantidade de gelo no mar que encontraram no Estreito de Nares, entre a Groenlândia e o Canadá. Ele também instalou câmeras para monitorar a gigantesca geleira Petermann. Foram observadas novas rachaduras, enormes, e os cientistas acreditam que uma grande parte da geleira pode se romper em breve. "A comunidade científica ficou surpresa pela forma como estas grandes geleiras são sensíveis ao aquecimento", afirmou Box à BBC. "Primeiro foram as geleiras no sul da Groenlândia e agora, enquanto vamos mais para o norte da Groenlândia, descobrimos o recuo em grandes geleiras. É como retirar uma rolha de uma garrafa", acrescentou.

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