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25/08/2009 - 09h21

Na 'ilha de Obama', policial brasileiro tenta coibir jeitinho

[selo]
Um brasileiro nascido em Anápolis, Goiás, mas que há 13 anos trabalha na polícia da cidade de Tisbury, em Martha's Vineyard, atua como uma espécie de intermediário entre as comunidades brasileira e americana da ilha em que o presidente Barack Obama e sua família estão hospedados.

Leo de Oliveira, de 47 anos, conta que o papel que ele desempenha junto à comunidade brasileira foi algo definido desde que ele ingressou na polícia de Tisbury, um fato que ocorreu quase que por acaso.

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  • Bruno Garcez/BBC Brasil

    "Não estamos aqui para trabalhar como agentes de imigração", diz brasileiro



"Fui chamado para fazer um trabalho de tradução para um policial, porque, naquela época, eu era um dos poucos que falava fluentemente inglês e português. O fato de eu ser da comunidade interessava, porque aqui nos Estados Unidos existe um interesse muito grande com a minoria."

Como pertencia à maior minoria de Martha's Vineyard, logo Oliveira passou a comandar visitas de equipes de policiais americanos a locais frequentados por brasileiros, como escolas e igrejas evangélicas - assim como boa parte dos brasileiros na ilha, ele é membro de uma delas - para prestar esclarecimentos sobre temas diversos; em especial sobre um determinado assunto: explicar que o trabalho de polícia não é um trabalho de imigração.

"Não estamos aqui para trabalhar como agentes de imigração."

Ilegais
Muitos dos brasileiros que vivem em Martha's Vineyard - possivelmente até 70% do total - entraram nos Estados Unidos de forma ilegal.

Os ilegais que são capturados dentro de território americano são detidos, mas podem ser libertados mediante pagamento de fiança e do compromisso de que comparecerão perante um juiz quando receberem uma carta convocatória. Poucos o fazem e seguem vivendo no país sem documentação, porque não têm meios de obter uma carteira de habilitação ou um número de Segurança Social.

Sem ter como tirar carteira de motorista, muitos não se importam em seguir dirigindo mesmo assim. No ano passado, em Martha's Vineyard, um acidente envolvendo um brasileiro sem documentação acabou em tragédia e provocou uma reação indignada por parte de alguns moradores locais contra brasileiros.

Ao final, descobriu-se que a jovem americana que morreu no acidente dirigia em excesso de velocidade e teria sido a responsável pela colisão, mas como o outro envolvido no incidente era um brasileiro sem carteira de motorista, a reação inicial de muitos foi a de escrever mensagens iradas para os jornais das redondezas, atacando os brasileiros.

Morto a tiros
Um dos incidentes mais graves envolvendo a polícia americana e a comunidade brasileira da região não ocorreu em Martha's Vineyard, mas sim fora da ilha.

No ano passado, na cidade de Hyannis, que fica a pouco mais de 70 quilômetros da cidade de Oaks Bluffa ilha de Martha's Vineyard, o jovem brasileiro André Luiz Martins foi morto a tiros por um policial americano ao romper uma blitz, de acordo com a versão da polícia.

Na época, comerciantes brasileiros protestaram conta o incidente exibindo cartazes nos quais pediam justiça.

O brasileiro estava em situação ilegal no país e já tinha antecedentes criminais. Especula-se que ele temia ser deportado se fosse parado por policiais.

O autor dos disparos disse ter se sentido ameaçado, porque o brasileiro teria vindo em sua direção em alta velocidade. O policial acabou sendo afastado do serviço de rua.

A fim de prevenir esse tipo de incidente, a polícia da cidade de Oak Bluffs lançou uma cartilha bilíngue, em inglês e em português, na qual frisa que "a Polícia de Oak Bluffs não tem autoridade de fazer cumprir as leis federais de imigração".

O que acontece, de acordo com o relato de Leo de Oliveira, é que ao parar imigrantes ilegais que estão sem carteira de habilitação, a polícia pode descobrir também que existem mandados de busca e apreensão para os indivíduos que foram parados.

"O mandado de busca e apreensão aparece na nossa tela. Nós não sabemos por que, qual a situação, não nos interessa, nós temos que cumprir a lei, porque não existe justiça que não for para todos. Um americano pego dirigindo sem carteira de habilitação vai preso do mesmo jeito", afirma.

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