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10/09/2009 - 07h46

Mantega: 'Se novo governo tentar mudar diretrizes de Lula, vai apanhar'

Silvia Salek
Em Londres
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse achar "temerário" que se tente mudar as diretrizes do governo Lula após as eleições e que, se isso ocorrer, o novo governo "vai apanhar".

"O destino do Brasil já está traçado, mesmo que haja mudança na administração, que não seja um candidato petista que ganhe a eleição, mas de outro partido. As principais diretrizes são conquistas do povo brasileiro. Se mudar, vai apanhar. Se alguém assumir e começar a mudar isso, não vai se aguentar no governo", disse.

Em entrevista à BBC Brasil, Mantega disse duvidar que o Bolsa Família e outros programas sociais possam ser desativados.

"Mesmo com as eleições, o curso das políticas já está dado. Acho temerário que algum novo governante venha a mudar uma série de diretrizes que estão dando certo. Eu duvido que desative o Bolsa Família, os programas sociais. A população não vai deixar. Duvido que diminua investimentos públicos, que bancos públicos diminuam sua atuação, que a Petrobras deixe de ser a principal agente do pré-sal", acrescentou.

A grau de influência do Estado na economia e nas instituições deve ser um dos principais temas da eleição presidencial e, segundo Mantega, o Brasil não caminha para o "velho estatismo".

"No Brasil, o estado tem o papel de estimular o crescimento, mas isso não significa a volta do estatismo, isso não tem nada a ver com o que deve acontecer no início da industrialização. (...)Hoje, o Brasil é um país industrializado, então, o Estado tem de ter uma função de indutor de alguns setores. Não é o velho estatismo, mas é uma maior participação do Estado do que os liberais pregam."
Mantega rebateu também críticas de que o Brasil passa por um momento de "virada nacionalista" com o novo marco regulatório do pré-sal.

"Acho que essa visão é equivocada. O capital estrangeiro no Brasil tem o mesmo status que o capital nacional, não há restrição. As normas do Brasil são claras e são cumpridas. Agora, no campo do petróleo, que é um campo estratégico, a coisa é diferente.(...) Não vamos misturar as coisas. O Brasil não é um país que muda, que caminhou para um nacionalismo xenófobo. Defender os interesses nacionais, todos os países defendem. Nunca vi mais bandeiras nacionais do que nos Estados Unidos."
Mantega voltou a falar sobre a crise na Receita Federal, dizendo que houve mais "fumaça do que fogo" após a demissão da ex-secretária Lina Vieira.

"Esse episódio fez muito mais fumaça do que fogo. Na verdade, apenas tratou-se da substituição de um cargo de confiança do ministro. Resolveram fazer um barulho grande em cima disso e houve uma exploração política desse evento, muito maior do que o fato em si. A equipe está substituída, a Receita está trabalhando normalmente, então, não há mais nada a se comentar sobre esse assunto."
Segundo o ministro, a atual crise representou uma oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo suas "virtudes" e que os últimos dados indicam que a aceleração da economia brasileira é até mais forte do que se imaginava.

Com o discurso de que a crise já ficou para trás no Brasil, Mantega se arriscou a olhar para frente e a prever que, na próxima década, o Brasil já vai ser um país avançado, "a quinta ou a sexta economia do mundo" e com potencial de crescer de 5% a 6% "por muito tempo".

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