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23/12/2009 - 15h57

Oposição diz que polícia reprimiu nova manifestação no Irã

Sites da oposição e testemunhas ouvidas pela BBC disseram que forças de segurança iranianas entraram em confronto nesta quarta-feira om oposicionistas na cidade de Isfahan, no centro do país, quando a multidão se reunia para homenagear um clérigo que morreu no sábado. A morte do aiatolá Hoseyn Ali Montazeri, um dos principais clérigos dissidentes do país, já havia provocado protestos na terça-feira na cidade de Qom, a aproximadamente 150 km a sudoeste da capital iraniana. De acordo com sites oposicionistas, nesta quarta-feira a polícia usou gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar a multidão que iria homenagear o aiatolá em Isfahan. O site Rashesabz disse que centenas de policiais uniformizados e agentes à paisana estavam envolvidos na operação e foram necessárias quase duas horas para dispersar a multidão. Outra página reformista, Parlemannews, informou que mais de 50 pessoas foram detidas. E, segundo a página, a casa do aiatolá Jalaleddin Taheri, organizador da homenagem para Montazeri, foi cercada por policiais à paisana que o impediram de sair. As autoridades do Irã ainda não confirmaram os choques em Isfahan, mas o chefe da polícia iraniana alertou nesta quarta-feira que os protestos da oposição não serão tolerados. "Aconselhamos este movimento a encerrar suas atividades. Senão, aqueles que perturbarem a ordem serão enfrentados duramente, com base na lei", teria dito Esmail Ahmadi Moghaddam, de acordo com a agência de notícias iraniana Fars. Gás Testemunhas contaram à BBC que as pessoas estavam reunidas perto da principal mesquita de Isfahan para a cerimônia de homenagem a Montazeri, mas, quando chegaram no local, as portas estavam fechadas e as forças de segurança disseram que eles deviam ir embora. "Pouco a pouco alguns confrontos começaram, e as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e gás de pimenta", afirmou uma testemunha. "Eles pegaram pessoas nas lojas e espancaram, a maioria delas escondidas do público, mas alguns espancamentos ocorreram na rua mesmo", acrescentou. O repórter da BBC especializado em assuntos relativos ao Irã Jon Leyne afirmou que os confrontos ocorridos nos últimos dias no país podem ser o prelúdio de uma série de grandes manifestações, que deve ocorrer durante o final de semana. A imprensa estrangeira tem seu movimento limitado no Irã desde os protestos após as eleições de junho - que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad - e costuma ser difícil confirmar os relatos. Qom Na segunda-feira outros confrontos entre a polícia e milhares de pessoas ocorreram depois do funeral de Montazeri em Qom e os confrontos se estenderam na terça-feira pela cidade. Vários líderes de oposição compareceram ao funeral na segunda-feira, incluindo Mir Hossein Mousavi, que ficou em segundo lugar nas eleições de junho e tem sido um crítico severo do governo do presidente Ahmadinejad. O canal de televisão estatal relatou que os partidários do governo também fizeram manifestações na terça e quarta-feira em Qom. Já os reformistas informaram que ocorreram confrontos também na cidade natal de Montazeri, Najafabad, nos últimos dois dias. Durante sua vida, o aiatolá Montazeri passou de um dos pilares da Revolução Islâmica de 1979 a um dos principais críticos das lideranças do país. Ele acusava os governantes iranianos de impor uma ditadura em nome do Islã e disse que a liberdade que deveria ter vindo após a revolução de 79 nunca se concretizou.

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