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23/12/2009 - 06h22

Zelaya passará Natal com 'limitações' na embaixada do Brasil em Honduras

Instalados há três meses na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e sua mulher, Xiomara Castro, passarão a noite de Natal nas dependências da representação diplomática brasileira, com "limitações" e num clima de "resistência", nas palavras da primeira-dama hondurenha.

Em entrevista à BBC Brasil na noite da última terça-feira, Xiomara Castro afirmou que o Natal deste ano "não será o mesmo", e que ela e o marido esperam a autorização do governo interino de Honduras para que seus familiares possam entrar na embaixada brasileira para comemorar a data.

"Este ano passaremos aqui, na embaixada do Brasil, que nos abriu as portas nestes três meses. Lógico que não é o mesmo, não há essa alegria, esse espírito de paz que predomina na noite de Natal", afirmou em entrevista por telefone à BBC Brasil.

Segundo Xiomara, ela e Zelaya solicitaram que o governo interino do país permita a entrada de seus familiares na representação diplomática brasileira.

"Solicitamos a possibilidade de que a família pudesse vir, os filhos, nossas mães, os netos, que pudessem ficar um pouco, para compartilhar os alimentos que podem ser preparados na casa. Mas não depende de nós", disse.

"Normalidade" Atualmente, treze pessoas, incluindo o presidente deposto, a primeira-dama e seus partidários, encontram-se abrigados na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Zelaya se refugiou na representação diplomática no último dia 21 de setembro, pouco menos de três meses depois de ter sido deposto da Presidência de Honduras.

Segundo o diplomata brasileiro Francisco Catunda Resende, um dos responsáveis pela embaixada, o clima no local é de "normalidade" e, apesar da presença dos hóspedes, alguns serviços consulares emergenciais já estão sendo cumpridos.

Catunda estará de plantão na embaixada na noite de Natal, mas afirmou ainda não ter sido informado sobre qualquer comemoração por parte de Zelaya e sua família.

Ainda segundo o diplomata, as dependências da embaixada estão limpas, os banheiros funcionando e as condições de higiene são adequadas.

Resistência De acordo com Xiomara Castro, Zelaya tem recebido muitas ligações de pessoas que desejam mostrar "solidariedade" à sua "resistência".

Ela afirmou que o presidente deposto continua "em sua luta para reverter o golpe de Estado", mas ressaltou que a restituição de Zelaya ao poder não faz mais parte de suas demandas.

Segundo ela, o presidente "se manterá firme, sem renunciar", até o dia 27 de janeiro, quando terminaria seu mandato e tomará posse Porfírio Lobo, eleito presidente de Honduras no pleito do último dia 29 de novembro.

A partir daí, segundo a primeira-dama, serão "tomadas as ações correspondentes".

De acordo com o diplomata Francisco Catunda, há gestões para que Zelaya vá para a República Dominicana, onde ele poderia continuar as negociações. O diplomata, no entanto, não deu maiores detalhes.

Mesmo assim, de acordo com o diplomata brasileiro, o governo do Brasil nunca deu qualquer ultimato para que o presidente deposto de Honduras deixe a embaixada, podendo permanecer no prédio o quanto for necessário.

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