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27/12/2009 - 10h42

Oposicionistas e forças de segurança entram em confronto em Teerã

Novos confrontos violentos ocorreram neste domingo entre as forças de segurança iranianas e manifestantes da oposição que se reuniam no centro de Teerã.

Segundo relatos de grupos oposicionistas, até quatro pessoas teriam morrido nos confrontos, mas a polícia iraniana nega a informação.

Partidos de oposição do Irã haviam convocado a manifestação para coincidir com o fim da festividade muçulmana xiita de Ashura.

Segundo fontes oposicionistas, os manifestantes gritavam "Khamenei será derrubado", numa referência ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Relatos iniciais disseram que as forças de segurança dispararam tiros para o ar para tentar dispersar os manifestantes, mas vários relatos posteriores disseram que até quatro manifestantes teriam sido mortos.

A mídia estrangeira está proibida pelo governo iraniano de cobrir as manifestações da oposição, razão pela qual as informações sobre as mortes não puderam ser confirmadas por fontes independentes.

Apesar das mortes nas manifestações da oposição logo após as contestadas eleições presidenciais de junho, as fatalidades têm sido raras desde então.

Segundo Siavash Ardalan, da TV persa da BBC, as forças de segurança iranianas precisam caminhar sobre uma linha fina para não parecerem fracas, mas também para evitar provocar ainda mais os manifestantes da oposição.

Fumaça
Helicópteros da polícia podiam ser vistos sobrevoando o centro de Teerã, enquanto colunas de fumaça negra eram vistas em diversas partes.

Nas ruas, as forças de segurança tentaram impedir que os manifestantes chegassem à praça Enghelab, no centro da cidade.

Segundo sites oposicionistas, os manifestantes gritavam "Este é o mês do sangue" e pediam a derrubada de Khamenei.

Simultaneamente, grupos de manifestantes pró-governo participavam de um protesto na praça Enghelab para manifestar apoio ao aiatolá Khamenei, segundo testemunhas.

Outras manifestações ocorreram nas cidades de Isfahan e Najafabad.

Tensão
A tensão no Irã vem se intensificando desde a morte do clérigo dissidente aiatolá Hoseyn Ali Montazeri, na semana passada, aos 87 anos.

Simpatizantes do líder oposicionista Mir Hossein Mousavi procuraram aproveitar as festividades xiitas deste fim de semana para demonstrar seu contínuo repúdio ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Após a proibição das manifestações, a oposição escolheu o altamente significativo festival de Ashura, quando milhões de iranianos tradicionalmente vão às ruas para participar de cerimônias e paradas.

O festival comemora a morte, no século 7, do imã Hussein, neto do profeta Maomé.

Mousavi ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de junho, mas acusou o presidente Ahmadinejad, reeleito para mais um mandato, de fraudar a votação.

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