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29/12/2009 - 12h45

Execução de britânico gera crise diplomática entre China e Grã-Bretanha

A embaixadora da China na Grã-Bretanha, Fu Ying, foi chamada nesta terça-feira ao Ministério das Relações Exteriores britânico para responder perguntas sobre a execução de um cidadão britânico por tráfico de drogas na China.

Akmal Shaikh, que tinha 53 anos e se dizia inocente, foi morto nas primeiras horas desta terça-feira, apesar de vários pedidos de clemência por parte do governo da Grã-Bretanha e de seus familiares, que alegam que ele sofria de transtorno bipolar.

Após o encontro em Londres, o ministro britânico Ivan Lewis disse que a conversa com a embaixadora chinesa foi "difícil". "Deixei claro que a execução de Shaikh é totalmente inaceitável e que a China falhou em suas responsabilidades básicas para com os direitos humanos neste caso", afirmou.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse estar "perplexo e decepcionado" com a decisão das autoridades chinesas.

Mas em um comunicado divulgado após a execução e antes do encontro de Fu com Lewis, a embaixada da China na Grã-Bretanha afirmou que os direitos de Shaikh "foram devidamente respeitados e garantidos" e que as preocupações das autoridades britânicas "foram registradas a tempo e levadas em consideração".

"Quanto à sua possível doença mental, sobre a qual se falou muito, aparentemente não houve registro médico prévio", diz o comunicado.

Pena de morte A agência de notícias oficial chinesa Xinhua informou que a Suprema Corte do Povo, da China, não recebeu qualquer documentação que provasse que Shaikh sofria de problemas mentais.

Sua família, no entanto, disse que ele vinha sofrendo episódios de confusão mental e foi convencido a levar uma maleta que não pertencia a ele em uma viagem para Urumqi, no noroeste da China, em 2007.

Ao desembarcar, foram descobertos cerca de 4 kg de heroína em sua bagagem.

Segundo Leilla Horsnell, filha de Shaikh, seu pai foi convencido por traficantes poloneses, que prometeram fazer dele um pop star na China.

Em seu comunicado, a embaixada chinesa na Grã-Bretanha afirmou que, de acordo com a lei chinesa, o limite para que uma pessoa seja condenada à pena de morte por tráfico de drogas no país é de 50 g de heroína.

Shaikh é o primeiro cidadão da União Europeia a ser executado na China nos últimos 50 anos.

Segundo o correspondente da BBC em Pequim, Chris Hogg, muitos processos judiciais na China ocorrem em sistema de confidencialidade, o que torna impossível saber se o acusado teve ou não um julgamento justo.

Grupos de defesa dos direitos humanos baseados fora da China acreditam que, a cada ano, o país executa mais pessoas do que todos as outras nações juntas.

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