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01/01/2010 - 10h01

Morales revoga aumento de preço dos combustíveis

Anúncio de Morales, da revogação do aumento, foi transmitido pela televisão
O presidente boliviano, Evo Morales, revogou o aumento no preço dos combustíveis, introduzido há menos de uma semana e que causou protestos e greves no sistema de transporte.

Morales determinou o cancelamento do aumento de mais de 70% no preço dos combustíveis depois de uma reunião com sindicatos e grupos que representam povos indígenas.

Em um discurso transmitido pela televisão na noite de 31 de dezembro, Morales afirmou que vai "obedecer o que o povo fala ao revogar o decreto que aumentou (o preço da) gasolina e tudo o que acompanhou esta medida", de acordo com a agência de notícias Associated Press.

"Isto significa que todas as medidas foram retiradas."
O governo boliviano tinha retirado os subsídios para a gasolina e o diesel no domingo, afirmando que não poderia mais manter o congelamento nos preços que já durava seis anos. E acrescentou que boa parte do combustível barato do país estava sendo contrabandeado para fora da Bolívia, para ser revendido com lucro.

Imediatamente o preço da gasolina aumentou em mais de 70% e, o do diesel, em mais de 80%, o maior aumento do preço dos combustíveis em 20 anos.

Protestos e greves
Este aumento gerou protestos em todo o país e a greve no setor de transportes.

Na quinta-feira ocorreram protestos violentos na capital, La Paz, e também nas cidades de El Alto e Cochabamba. Os protestos foram suspensos na sexta-feira, mas seriam retomados na segunda-feira, com passeatas dos principais sindicatos.

Caminhões do Exército foram mobilizados para transportar os bolivianos e o Exército ainda teve que fornecer pães para a população depois do anúncio de uma greve de padeiros no país.

Morales, por sua vez, acusou os padeiros de se "aproveitarem" da situação ao tentar aumentar o preço do pão e lembrou que os preços da eletricidade e do gás natural usados nos fornos não tinham aumentado.

O presidente boliviano cancelou a viagem que faria ao Brasil para participar da cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff.

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