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05/01/2010 - 16h21

Milhares comparecem ao funeral de governador paquistanês

Caixão de Taseer é levado de helicóptero para um cemitério militar
Milhares de pessoas compareceram nesta quarta-feira em Lahore (Paquistão) ao funeral do governador da Província de Punjab, Salman Taseer, morto a tiros na última terça-feira.

Taseer, um dos mais destacados políticos liberais do país e integrante do Partido do Povo do Paquistão (PPP, governista), foi assassinado por um de seus guarda-costas. O segurança disparou nove vezes contra o governador e acabou preso.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, compareceu ao funeral. Ele declarou três dias de luto oficial no país e pediu calma aos cidadãos.

Recentemente, Taseer havia se pronunciado contra uma lei do país que prevê pena de morte a todos que insultam o Islã. Há uma proposta para tornar esta legislação menos dura.

"O segurança que o matou disse que fez isso pois recentemente Taseer defendeu as emendas propostas à lei de blasfêmia", disse o ministro do Interior, Rehman Malik, logo após o assassinato. "Isto foi o que ele disse à polícia depois de se entregar."
De acordo com a repórter da BBC em Islamabad Orla Guerin, Taseer afirmou que a lei era "draconiana" e pediu também que uma mulher cristã, Asia Bibi, condenada à morte com base na legislação, fosse libertada.

Entre os líderes que lamentaram a morte do paquistanês, estão o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Elogios ao assassino
Embora muitos tenham condenado a morte de Taseer, alguns líderes religiosos muçulmanos elogiaram o assassino do governador e pediram o boicote das cerimônias fúnebres, afirma Guerin.

Um pequeno partido religioso chamado Jamaat-e-Ahl-e-Sunnat Pakistan advertiu por meio de um comunicado que qualquer pessoa que demonstre pesar pelo assassinato deve sofrer o mesmo destino do governador morto.

A polícia está realizando um inquérito para apurar falhas no esquema de segurança que protegia o governador.

O correspondente da BBC Ilyas Khan afirma que as principais questões são se o assassino agiu sozinho e por que os outros guarda-costas não tentaram evitar o atentado.

Divisões no país
O alto comissário do Paquistão em Londres, Wajid Shamshul Hassan, disse à BBC que o assassinato de Taseer expõe as divisões existentes no seu país.

"Isto mostrou que você pode ser mantido refém por uma minoria de pessoas religiosas (radicais) e elas podem fazer o que quiserem", disse. "Nós seremos duros com eles. A menos que você se livre de tais pessoas (...), você não sente justiça sendo feita".

A morte de Taseer - um aliado próximo do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari - foi o assassinato político mais marcante do país desde o atentado que matou a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em dezembro de 2007.

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