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06/01/2010 - 11h36

Após críticas de Obama, diretor de inteligência dos EUA promete ação

Uma das mais importantes autoridades dos serviços de inteligência dos Estados Unidos prometeu agir nesta quarta-feira após as críticas do presidente Barack Obama sobre falhas que permitiram um atentado frustrado em um avião entre Amsterdã e Detroit no Natal.

O diretor do Departamento Nacional de Inteligência, Dennis Blair, disse que a comunidade de inteligência terá que acelerar seus esforços para prevenir novos ataques.

Obama havia dito na terça-feira que o serviço de inteligência do país possuía informações suficientes para impedir o embarque e interceptar o acusado de tentar explodir o avião que ia para Detroit.

"O governo tinha informação suficiente para desvendar o plano e potencialmente interromper esse ataque no dia de Natal. Mas nossos agentes de inteligência fracassaram em conectar os pontos que teriam colocado o suspeito em uma lista de proibição para embarcar", disse Obama depois de uma reunião com as principais autoridades de segurança no país.

Dennis Blair admitiu que houve falhas dos serviços de inteligência no caso e afirmou que "a mensagem do presidente" foi compreendida. "Recebemos e estamos nos movimentando para cumprir com os novos desafios", disse.

Blair acrescentou que as autoridades de inteligência fizeram "progressos consideráveis" na coleta e na análise das informações e para melhorar a colaboração entre os serviços, apesar de ainda ser preciso fortalecer sua capacidade de impedir "novas táticas" de ataque.

O cargo ocupado por Dennis Blair foi criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, em uma tentativa de melhorar a coordenação entre os serviços de inteligência.

Bomba
Em 25 de dezembro, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab embarcou na Holanda em um voo da Northwest Airlines, entre Amsterdã e Detroit, e tentou explodir uma bomba no avião.

Segundo Obama, além de ter informações de que Abdulmutallab teria viajado ao Iêmen e se encontrado com extremistas no país, o serviço de inteligência dos Estados Unidos também sabia de outros "sinais de alerta".

Entre eles, o presidente disse os agentes sabiam que a Al-Qaeda na Península Ibérica estava buscando atingir outros alvos americanos não apenas no Iêmen, mas também nos Estados Unidos.

"Tínhamos a informação de que esse grupo estava trabalhando com um indivíduo que era conhecido - e que agora sabemos ser o indivíduo envolvido no ataque do Natal", afirmou.

De acordo com o presidente, não houve falha na coleta de informações, mas em "integrar e compreender a informação que já tínhamos".

Obama disse que a falha foi "potencialmente desastrosa" e criticou os profissionais que tiveram acesso às informações sobre Abdulmutallab.

"Eu aceito que a inteligência é imperfeita por natureza, mas está cada vez mais claro que a informação não foi completamente analisada ou alavancada", afirmou o presidente. "Isso não é aceitável e eu não vou tolerar."

Análises
As declarações de Obama na terça-feira foram feitas depois de autoridades americanas dos setores de inteligência, segurança e Justiça terem apresentado suas análises sobre a situação no país após a tentativa de ataque contra o avião da Northwest Airlines.

A expectativa era de que o presidente anunciasse um novo pacote de reformas na segurança, mas Obama apenas reforçou as mudanças já anunciadas após a tentativa de atentado.

Entre as novas medidas já em vigor está o maior controle de passageiros que passam ou partem de uma lista de 14 países. Esses passageiros estariam sujeitos a restrições mais severas como revistas manuais por policiais e inspeções de bagagem de mão.

A lista de países inclui Cuba, Irã, Sudão e Síria, que os Estados Unidos consideram patrocinadores do terrorismo, além de outros dez países - incluindo o Iêmen, onde Abdulmutallab teria recebido treinamento, e a Nigéria, país pelo qual o nigeriano passou em sua viagem para Detroit.

Falha
O nome do acusado pela tentativa de ataque, Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, foi analisado pelo governo americano em novembro, quando o pai dele comunicou à embaixada na Nigéria suas preocupações a respeito do filho.

O nome de Abdulmutallab estava em uma grande lista de monitoramento, com cerca de meio milhão de pessoas na base de dados, a chamada lista Tide (Terrorist Identities Datamart Environment).

Mas o nome nunca foi tirado da lista Tide para uma lista de monitoramento menor de pessoas que precisam passar por revista mais detalhada antes de entrar nos Estados Unidos ou até mesmo são proibidas de embarcar em voos para o país.

A Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) assumiu a responsabilidade pelo plano de explodir o avião que chegava a Detroit no dia de Natal, o que aumentou a preocupação em relação ao Iêmen, país onde o grupo está baseado.

As autoridades iemenitas anunciaram nesta quarta-feira a prisão de três supostos militantes da Al-Qaeda que foram cercados em uma operação policial.

Segundo a agência de notícias France Presse, entre os presos estaria Mohammed Al-Hanq, apontado como um líder local da Al-Qaeda.

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