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07/01/2010 - 11h37

Após revolta interna, Brown vê oposição pressionar

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, enfrenta nova pressão nesta quinta-feira, com os líderes da oposição pedindo que as eleições gerais sejam realizadas imediatamente.

O pedido é feito um dia depois de dois ex-ministros do governo terem lançado uma campanha dentro do Partido Trabalhista para contestar a liderança do primeiro-ministro, poucos meses antes do prazo máximo para a realização das eleições gerais.

Em entrevista à BBC nesta quinta-feira, o líder do Partido Conservador, David Cameron, disse que a tentativa de "golpe" dentro do Partido Trabalhista mostra que o governo está "profundamente dividido", num momento em que a Grã-Bretanha precisa de forte liderança em questões como o orçamento e a guerra no Afeganistão.

Na quarta-feira, os ex-ministros da Defesa, Geoff Hoon, e da Saúde, Patrícia Hewitt, enviaram mensagens de texto por celular a todos os parlamentares do Partido Trabalhista, propondo uma votação secreta para questionar a liderança de Brown antes da disputa eleitoral.

Mas segundo o próprio Hoon disse à BBC na quarta-feira à noite, a iniciativa não obteve apoio público suficiente dentro do partido, a não ser de alguns parlamentares que já haviam expressado decepção com o premiê.

A BBC, no entanto, obteve informações de que rebeldes dentro do partido acreditavam que até seis ministros do gabinete concordavam que a mudança na liderança do partido é necessária e agiriam de acordo, apesar de nenhum ter se manifestado publicamente.

Pressão Para Cameron, se forem verdade os rumores de que Gordon Brown não conta com apoio entre alguns dos ministros de seu gabinete, "as pessoas vão se perguntar por que alguém deveria apoiá-lo".

Cameron lembrou que Brown - que assumiu o governo em meados de 2007 após ser eleito líder do Partido Trabalhista, depois da renúncia de Tony Blair - não tem "um mandato claro nem de seu partido", nem do país.

Segundo Cameron, diferentemente de outros primeiros-ministros que tiveram sua liderança contestada, como Margaret Thatcher, John Major e Tony Blair, "Gordon Brown só foi primeiro-ministro por dois anos e tem problemas profundos com um partido profundamente dividido".

Já o líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, disse à BBC que "os rebeldes, sejam eles Geoff Hoon ou Patrícia Hewitt, ou outros, estão se iludindo se acham que os problemas do Partido Trabalhista começam e terminam em Gordon Brown".

"Acredito que haja um problema muito mais profundo, que é o de um partido que está no poder há muito tempo e parece ter perdido o caminho. Acredito que, provavelmente, eles só vão decidir quem são e resolver seus problemas com um novo líder, quando voltarem à oposição." Nesta quinta-feira, no entanto, o porta-voz oficial do governo disse que o primeiro-ministro está "relaxado" e conta com o apoio de todo o gabinete.

O ministro da Justiça, Jack Straw, um dos articuladores da candidatura de Brown à liderança dos Trabalhistas, disse que o partido "podia ter passado sem essa", mas afirmou que o importante agora precisa se concentrar na campanha para as eleições gerais.

Apoio Esta já foi a segunda tentativa de "golpe" contra Gordon Brown dentro do próprio Partido Trabalhista em dois anos.

No ano passado, o ministro James Purnell renunciou, pedindo que a liderança do premiê fosse contestada, mas alguns ministros chave rejeitaram o apelo.

Na quarta-feira à noite, o ministro dos Negócios, Peter Mandelson - um dos principais aliados de Brown no gabinete - disse à BBC que a posição do primeiro-ministro está segura, já que o partido chegou a um acordo de que ele vai liderá-lo até as eleições.

"O partido chegou a uma visão comum. Os parlamentares querem Gordon Brown na liderança do partido como primeiro-ministro até as eleições gerais, sejam elas quando forem, e não querem discutir a questão da liderança." Segundo Mandelson, a revolta "soprou pelos corredores de Westminster (a sede do Parlamento) e saiu pela janela".

Ao falar sobre Hoon e Hewitt, Mandelson disse ter certeza de que os dois acreditavam estar agindo a favor do interesse do partido, mas que o partido não concordou com eles.

"O Partido Trabalhista quer que Gordon Brown continue na sua liderança e é por causa disso que os eventos (desta quarta-feira) não chegaram a ganhar força." Segundo as regras do Parlamento britânico, o governo tem que convocar eleições gerais até junho deste ano.

Uma pesquisa do instituto de opinião YouGov encomendada pelo jornal The Sun e publicada nesta quinta-feira mostra os Conservadores à frente, com 40% da preferência dos eleitores, seguidos pelo Partido Trabalhista, com 31% (um ponto percentual a mais do que a pesquisa anterior) e os Liberais Democratas com 17%.

Na quarta-feira, depois de a tentativa de rebelião ter sido mal-sucedida, o ex-ministro Geoff Hoon reconheceu que em sua grande maioria os parlamentares do partido não quiseram aproveitar a oportunidade de contestar a liderança, apesar de ser "quase impossível" ignorá-la.

Hoon também se mostrou preocupado sobre como a questão da liderança será abordada durante as eleições.

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