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08/01/2010 - 23h34

Chávez desvaloriza bolívar e cria dupla taxa de câmbio

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta sexta-feira a primeira desvalorização da moeda venezuelana, o bolívar, desde 2005.

Além disso, o presidente anunciou ainda uma taxa cambial dupla - um nível será destinado aos setores básicos, no qual um dólar será correspondente a 2,60 bolívares e outro para o restante da economia, no qual o dólar será cotado a 4,30 bolívares.

A taxa oficial de câmbio vem se mantendo estável pelo governo a 2,15 bolívares por dólar desde 2005, quando o presidente desvalorizou a moeda em 11%.

"No marco do controle de câmbio esse primeiro nível do dólar a 2,60 será utilizado para um primeiro conjunto de setores da economia, como alimentos, saúde, maquinário e equipamentos para o desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia, bibliotecas, materiais escolares", disse Chávez.

Segundo o presidente, os demais setores - automobilístico, telecomunicações, construção, etc - corresponderão ao âmbito do dólar "petroleiro", ou seja, 4,30 bolívares.

Além do anúncio sobre a desvalorização da moeda, Chávez disse ainda que o governo vai intervir no mercado paralelo, onde recentemente o bolívar vem fechando a cerca de 30% da taxa oficial.

O anúncio ocorre no momento em que o país, quinto maior exportador de petróleo do mundo, sofre com a recessão e com uma inflação de 25% - a maior da América Latina.

Até agora, o governo havia mantido a decisão de não desvalorizar a moeda. O câmbio estável é chave para uma economia que importa boa parte do que consome - cerca de 90% dos alimentos consumidos no país são exportados, segundo disse recentemente à BBC Mundo o presidente da Comissão de Finanças do Congresso, Simón Escalona.

A crise econômica do ano passado - e crucialmente para Venezuela, a queda nos preços do petróleo - obrigou o governo venezuelano a adotar algumas medidas de ajuste.

Retração Depois de registrar cinco anos de crescimento contínuo, a economia venezuelana encolheu 2,4% no segundo trimestre de 2009, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Este resultado, somado ao crescimento de 0,5% registrado no primeiro trimestre, totaliza uma contração de 1% no primeiro semestre de 2009.

De acordo com o Banco Central da Venezuela, o crescimento negativo se deveu à baixa dos preços do petróleo e, fundamentalmente, à queda na produção industrial, que se retraiu 8,3% devido à escassez de matérias-primas e de recursos para importar estes insumos.

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