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11/01/2010 - 10h12

Análise: Ataque frustra tentativa de melhorar imagem de Cabinda

O governo de Angola tinha decidido usar a cidade de Cabinda como uma das sedes da Copa das Nações Africanas em uma tentativa de melhorar a imagem e trazer investimentos à província de mesmo nome, destruída por anos de guerra civil.

Mas os planos se provaram uma tragédia, com a morte de três pessoas, a retirada da equipe do Togo do torneio e Angola nas manchetes do mundo inteiro pelos motivos errados.

A seleção togolesa, que conta com o atacante do Manchester City Emmanuel Adebayor, foi alvo de um grupo de homens armados que abriu fogo contra o ônibus em que o time viajava. Eles vinham do Congo em direção a Cabinda, que é separada de Angola por uma pequena faixa da República Democrática do Congo.

A pequena província, coberta por selva, abriga boa parte da atividade petroleira costeira de Angola, e tem sido o centro de uma longa batalha por independência por parte de várias facções da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (Flec).

Apesar de um tratado de paz assinado em 2006, a insurgência continua e há relatos esporádicos de ataques contra membros das Forças Armadas Angolanas (FAA) e até imigrantes brasileiros e chineses que trabalham na província.

Ameaças
A Flec tinha feito ameaças veladas de realizar ataques durante a Copa das Nações Africanas, quando a organização sabia que a imprensa mundial estaria assistindo. Mas o governo angolano garantiu que estava tomando medidas de segurança e que não haveria problemas.

Antes do torneio, o ex-líder da Flec Antonio Bento Bembe, que como parte do acordo de 2006 se tornou ministro, disse que Cabinda estava segura.

"A Copa das Nações é uma oportunidade para Cabinda receber visitantes, o que vai trazer dinheiro e investimentos para a província", afirmou.

Após o ataque da sexta-feira, Bembe disse que suas declarações haviam sido dadas de "boa fé". "Fico muito triste ao pensar que nossos irmãos africanos vieram para Angola para participar da Copa das Nações e acontece algo assim", declarou.

Ônibus
O governo lançou uma investigação sobre o ataque, mas muitos ainda perguntam por que o Togo decidiu entrar em Angola por terra, em uma parte conhecidamente perigosa da província, em vez de voar diretamente para a cidade de Cabinda, como orientou a Confederação Africana de Futebol.

"O erro foi o time ter viajado de ônibus, o que mostra que eles realmente não avaliaram seriamente os riscos na região", disse Alex Vines, da consultoria britânica Chatham House, de Londres.

"O ataque ocorreu na floresta de Mayombe, onde separatistas radicais da Flec vêm operando há décadas", afirmou. "São apenas centenas de rebeldes, mas eles podem perturbar a ordem mesmo com um grande número de militares angolanos deslocados para a região. Empresas estrangeiras na área já foram atingidas por sequestros e assassinatos."
Poucos desses ataques chegam aos jornais internacionais por causa de uma espécie de censura nas atividades da imprensa em Cabinda e pelo fato de o governo se recusar a reconhecer as ações da Flec.

Com a saída de Togo do torneio, o comitê organizador está prometendo mais segurança, mas também tenta minimizar o ocorrido.

Angola teria gasto US$ 1 bilhão para sediar a Copa nas cidades de Luanda, Lubango, Benguela e Cabinda.

Além de quatro novos estádios, construídos por empresas chinesas, o país conta com novos aeroportos, estradas, hotéis e instalações hospitalares.

Nas últimas semanas, o entusiasmo tem tomado conta dos angolanos e das ruas de Luanda, que se transformaram em um mar vermelho, preto e dourado - as cores da bandeira do país.

Uma vendedora de mangas que tem uma barraca em frente ao estádio da capital disse à BBC: "Estamos felizes com a Copa porque vai trazer turistas para Angola, e eles vão ver que a guerra acabou e que nosso povo é pacífico".

Após o incidente com a seleção de Togo, este tipo de otimismo pode ser cada vez mais difícil de se encontrar.

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