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12/01/2010 - 16h34

Ex-assessor de Blair nega manipulação de relatório sobre o Iraque

O ex-assessor do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, Alistair Campbell, disse nesta terça-feira que "defende cada palavra" do relatório sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque, divulgado seis meses antes da invasão, em setembro de 2002.

As declarações de Campbell foram feitas durante um inquérito parlamentar sobre os fatos que antecederam a guerra no Iraque. Segundo ele, o dossiê preparado pelo governo britânico poderia ter sido "mais claro", mas não "deturpou" a ameaça representada pelas armas do então presidente iraquiano Saddam Hussein.

Campbell é a figura mais importante a falar até agora no inquérito, que está analisando a política do governo britânico antes e depois da guerra, em 2003.

Como diretor de comunicações do gabinete do primeiro-ministro entre 1997 e 2003, ele teve um papel importante na elaboração do relatório do governo sobre as supostas armas de destruição em massa iraquianas. Ele renunciou ao cargo em 2003 após ser acusado de exagerar a ameaça iraquiana no dossiê.

O presidente do inquérito, John Chilcot, disse que está buscando respostas de Campbell sobre a "apresentação do argumento" pela ação militar no Iraque.

Os motivos para a guerra no Iraque - incluindo a agora desacreditada alegação de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, que poderiam ser usadas 45 minutos depois de uma ordem dada pelo então líder iraquiano - já causaram muita polêmica.

As questões sobre o papel de Campbell no dossiê estiveram no centro de uma disputa entre o governo e a BBC, que culminou na morte do especialista em armas do governo, David Kelly, e no inquérito Hutton, que investigou as circunstâncias do suposto suicídio.

Críticos acusaram o governo de ter exagerado o relatório para justificar a guerra.

Dossiê Campbell disse que o dossiê não foi escrito para apresentar "o argumento pela guerra", mas para mostrar porque Blair estava cada vez mais preocupado com a ameaça representada pelo Iraque.

O documento incluía uma introdução de Blair, em que ele dizia acreditar que as informações de inteligência demonstravam "sem dúvida" que Saddam Hussein havia continuado a produzir armas químicas e biológicas, uma afirmação que Campbell diz ter apoiado na época.

Campbell escreveu o primeiro rascunho da introdução, que foi então aprovado por Blair.

Sobre a alegação de que Saddam podia disparar armas em 45 minutos, Campbell disse que o dossiê poderia "obviamente" ter sido mais claro.

Mas ele insistiu que Blair apresentou um argumento equilibrado à Câmara dos Comuns antes da guerra e que a alegação dos 45 minutos só ganhou status icônico por causa da imprensa.

"Nós não havíamos planejado nossa comunicação em torno daquele ponto em particular", disse.

Diplomacia Durante a sessão de três horas, Campbell também negou acusações de que Blair mudou de idéia depois de uma cúpula nos Estados Unidos e decidiu apoiar a mudança de regime no Iraque.

A acusação havia sido feita pelo ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Christopher Meyer.

Campbell afirmou que Blair tinha a intenção de desarmar o Iraque através da ONU (Organização das Nações Unidas) até logo antes da guerra.

Mas ele também revelou que Blair escreveu de forma privada para o então presidente americano, George W. Bush, várias vezes em 2002 para dizer que a Grã-Bretanha "estaria lá" caso a diplomacia falhasse e uma ação militar fosse necessária.

Segundo Campbell, Blair "genuinamente acreditava" que era preciso lidar com o fato de que Saddam Hussein estava desrespeitando resoluções da ONU e buscando armas de destruição em massa.

"Você parece estar querendo que eu diga que Tony Blair decidiu falar, independentemente dos fatos e das armas de destruição em massa, vamos nos livrar desse homem (Saddam)", disse Campbell. "Não foi assim." Quando perguntado sobre sua relação com o ex-premiê, Campbell disse que era "muito próxima" e que participou de importantes encontros para discutir inteligência antes da guerra porque Blair "me queria lá".

Em entrevista à BBC no último dia 12 de dezembro, Blair afirmou que teria prosseguido com a guerra do Iraque em 2003 mesmo sem evidências de que o país, então governado por Saddam Hussein, possuísse armas de destruição em massa.

O ex-premiê disse ainda que, se não fosse o argumento do perigo bélico, ele utilizaria outros para justificar o combate à "ameaça" que Saddam representava para o Oriente Médio.

O conservador Richard Ottoway, membro da Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento, disse que as declarações de Blair eram uma "tática cínica para amaciar a opinião pública" antes da investigação.

Blair será ouvido pelo inquérito, que também ouvirá o ex-ministro da Defesa britânico Geoff Hoon e o ex-ministro das Relações Exteriores Jack Straw .

atual primeiro-ministro, Gordon Brown, que sucedeu Blair no poder, deverá ser ouvido depois das eleições gerais, esperadas para maio.

O relatório final do inquérito será publicado no começo do ano que vem.

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