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14/01/2010 - 01h14

Ajuda humanitária começa a chegar ao Haiti

Os primeiros aviões já começaram a chegar ao aeroporto de Porto Príncipe, capital do Haiti, com ajuda humanitária e equipes de resgate para auxiliar as vítimas do terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou a cidade na terça-feira.

Segundo o correspondente da BBC em Porto Príncipe Andy Gallacher, aviões provenientes da Venezuela, China e Estados Unidos desembarcaram no Haiti ainda na noite de quarta-feira.

De acordo com ele, "muito mais ajuda será necessária porque a população aqui desesperadamente precisa".

Equipes de outros países como Brasil, Grã-Bretanha, França, Dinamarca, Cuba, México, entre outros, devem chegar à capital nas próximas horas.

Muitos haitianos estão passando a segunda noite sem abrigo nas ruas da cidade, algumas com receio de voltar para as casas atingidas pelo terremoto. Testemunhas afirmam que muitos tentavam escavar os escombros com as mãos ou com ferramentas simples para tentar encontrar vítimas que possam estar soterradas.

De acordo com Gallacher, não há equipamento para ajudar a retirar as vítimas de dentro dos prédios que desmoronaram. Ele disse ainda que alguns agentes de equipes de resgate voltam do centro da capital cobertos de poeira e afirmam que a situação na cidade é "um pesadelo".

O sismo deixou um cenário de devastação em Porto Príncipe, destruindo o palácio presidencial, a sede da ONU no país e outros prédios importantes.

Mortes Mais de 24 horas depois do terremoto, ainda não há uma contagem oficial dos mortos. O presidente do Haiti, René Préval, classificou o tremor como uma "catástrofe" e disse que "milhares podem estar mortos".

Segundo a Cruz Vermelha Internacional, até 3 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelo maior terremoto a atingir o país em dois séculos. Na quarta-feira, o Exército brasileiro confirmou a morte de 11 militares que integravam a missão da ONU. Outros nove soldados brasileiros ficaram feridos e sete continuam desaparecidos.

O Brasil chefia a Minustah (Missão de paz da ONU no Haiti), que conta com cerca de sete mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força.

Além dos militares, a médica sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança, também morreu no terremoto. Ela estava no Haiti em uma missão da organização, participando de encontros com religiosos haitianos, segundo a Pastoral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou três dias de luto pelos brasileiros mortos no Haiti.

A embaixada brasileira em Porto Príncipe foi bastante danificada mas nenhum funcionário ficou ferido, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O ministro disse que o representante especial adjunto da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, está desaparecido.

Na quarta-feira, Lula conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e propôs uma reunião com representantes dos países empenhados em ajudar o Haiti.

Segundo Lula, o encontro serviria para coordenar os esforços e garantir que a ajuda humanitária chegue com mais rapidez às vítimas.

Em uma nota, a FAB (Força Aérea Brasileira) disse ter disponibilizado um total de oito aviões para ajudar as vítimas do tremor. Até sexta-feira, duas aeronaves com um total de 28 toneladas de alimentos e água para as vítimas deve chegar ao país.

A primeira aeronave deixou o Rio de Janeiro na noite de quarta-feira com 13 toneladas de suprimentos. O segundo avião deve partir na manhã desta quinta-feira.

Além dos aviões, o Brasil também deve enviar uma ajuda no valor de US$ 15 milhões, a maior já enviada pelo país.

O ministério da Defesa afirmou que "a prioridade do governo brasileiro neste momento, em termos de ajuda humanitária às vítimas do terremoto que atingiu o Haiti, é enviar água e alimentos disponíveis no estoque do governo e garantir o trabalho dos brasileiros que já estão naquele país".

O ministro Nelson Jobim partiu para o Haiti na quarta-feira, ao lado dos comandantes da Marinha e do Exército, do secretário executivo da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Rogério Sottili, e do senador Flávio Arns (PSDB-PR).

Operação O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que será necessária uma grande operação de ajuda para o país. A Organização anunciou a liberação de US$ 10 milhões dos fundos de emergência para ajudar o país.

A missão de paz da ONU no Haiti (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), informou que 150 funcionários continuam desaparecidos depois do desabamento de seu prédio em Porto Príncipe. A ONU já confirmou a morte de 16 de seus funcionários no país.

Além dos 9.065 policiais e soldados no Haiti, a Minustah também conta com 488 funcionários civis internacionais e locais. Vários países que participam da missão de paz, incluindo o Brasil, China e Paquistão, já informaram que vão enviar ajuda.

Além da ONU, o Banco Mundial, cujos escritórios no Haiti foram destruídos pelo tremor, planeja enviar uma equipe ao país para avaliar os danos. A instituição ofereceu US$ 100 milhões para ajudar nos esforços de reconstrução.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberou US$ 200 mil em um pacote de ajuda de emergência imediata que poderá ser usado para compra de alimentos, água potável, medicamentos e abrigos temporários.

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