UOL Notícias Notícias
 
14/01/2010 - 21h20

Presidente da Tunísia renuncia em meio a protestos

Antes da renúcia, Ben Ali dissolveu o Parlamento e convocou eleições
O presidente da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, renunciou nesta sexta-feira após um mês de protestos contra o desemprego, a inflação e a corrupção no governo.

O anúncio foi feito na TV estatal tunisiana pelo primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, que disse estar assumindo "temporariamente" o poder no país.

O primeiro-ministro afirmou que Ben Ali estava temporariamente incapaz de exercer seu cargo. Duas emissoras de TV árabes relataram que o presidente deixou o país no norte da África, mas a informação não foi confirmada.

A renúncia ocorreu após o governo decretar estado de emergência e um toque de recolher enquanto milhares de manifestantes protestavam na capital Túnis, nesta sexta-feira.

O decreto proibia reuniões de mais de três pessoas em lugares públicos, e as forças de segurança foram autorizadas a abrir fogo contra quem não obedecesse suas ordens.

Soldados cercaram o principal aeroporto do país, em Túnis, e o espaço aéreo tunisiano foi fechado.

Antes, Ben Ali, havia dissolvido o governo e convocado eleições legislativas antecipadas, em meio a um protesto que reuniu milhares de pessoas no centro da capital.

A polícia dissipou com gás com lacrimogêneo a multidão, que exigia a renúncia imediata do presidente.

Na quinta-feira à noite, Ben Ali, presidente da Tunísia desde 1987, anunciou que deixaria o poder em 2014.

Confrontos
Médicos dizem que 13 pessoas foram mortas em confrontos na quinta à noite em Túnis, e há relatos não confirmados de que cinco pessoas morreram em protestos na sexta-feira nos arredores da capital.

Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 60 pessoas morreram nas últimas semanas, à medida que a turbulência crescia no país.

A onda de manifestações começou em dezembro após um jovem atear fogo a si mesmo após ter sido impedido pela polícia de vender vegetais por não ter uma licença.

Os protestos inicialmente eram contra o desemprego e o alto preço dos alimentos, mas depois passaram a representar a insatisfação da população com o presidente e com a elite.

A França, antiga metrópole da Tunísia, criticou o "uso desproporcional de violência" e pediu calma para ambos os lados.

Ben Ali é o segundo presidente do país desde que este conquistou a independência, em 1956. Ele chegou ao poder em 1987 e foi reeleito para outro mandato de cinco anos em 2009 com quase 90% dos votos.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host