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14/01/2010 - 18h21

Terremoto danificou maioria dos hospitais haitianos, diz ONU

O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti na última terça-feira danificou ou destruiu grande parte dos hospitais e centros médicos da região da capital Porto Príncipe, fazendo com que o já precário sistema de saúde haitiano desmoronasse de vez.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Questões Humanitárias (OCHA, na sigla em inglês), pouco restou dos hospitais locais após o tremor.

Já a Organização Mundial da Saúde informou à BBC Brasil que ao menos oito hospitais foram ao chão ou estão muito danificados por causa do terremoto. O que restou está trabalhando muito acima de sua capacidade e com escassez de remédios e de profissionais.

As instalações que a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) mantém na região também foram abaladas.

"Todos os três centros foram severamente afetados com o terremoto e nenhum deles está em condições de uso", diz Paul McPhun, diretor de operações no Haiti da MSF.

"Situação caótica" Segundo a entidade, o quadro de saúde no país já era precário quando os hospitais ainda estavam de pé.

Agora, o caos impera. Stefano Zannini, outro integrante da organização na região, percorreu nesta semana a capital em busca de instalações hospitalares que pudessem atender aos feridos.

"A situação é caótica. Eu visitei cinco centros médicos, incluindo um grande hospital, e a maior parte deles não está funcionando", disse.

Até agora, somente dois hospitais em condições de receber pacientes foram localizados pela MSF.

Paul McPhun explica que, na ausência de hospitais, a organização já atendeu mais de mil vítimas do terremoto em tendas em frente às suas instalações. Mas assim, tudo o que pode oferecer aos feridos são os primeiros-socorros e estabilização dos quadros clínicos.

Atendimento cirúrgico "A realidade que estamos vendo é de traumas severos - lesões na cabeça, membros despedaçados - problemas graves que não podem ser curados com o nível de tratamento que temos disponível agora", diz McPhun.

"Por isso, nossa prioridade é restabelecer assim que possível um atendimento com capacidade cirúrgica no país", complementa.

Esse é o drama do hospital improvisado que o Exército brasileiro criou em sua base no Haiti. O capitão médico Fabrício Almeida de Moura explicou à Agência Brasil que alguns pacientes precisam de atendimento cirúrgico urgentemente, mas o local não pode oferecê-lo.

Em decorrência dessa crise nos centros médicos da área afetada, muitos haitianos estão recorrendo ao Hospital Albert Schweitzer (HAS), localizado a mais de 60 quilômetros da capital.

"Um constante fluxo de veículos, principalmente caminhonetes que servem como táxis nas ruas do Haiti, têm vindo para as portas do hospital. Na carroceria eles trazem uma ou duas pessoas, suas pernas ou braços cobertos com bandagens ou roupas", diz um comunicado oficial do centro médico, que está funcionando em sua capacidade máxima.

"Este é o mais sério desafio que o HAS já enfrentou em seus 54 anos de história", completa o texto.

Os que não conseguem se locomover para buscar ajuda permanecem pelas ruas de Porto Príncipe à espera de assistência.

Socorro à vista A OCHA informa que a Bélgica já entregou um hospital de campanha para diminuir o déficit de leitos no país.

A organização Médicos Sem Fronteiras espera para sexta-feira a chegada de um hospital similar com cem leitos, equipado com uma unidade cirúrgica. Além disso, mais de 80 funcionários devem se dirigir ao país assim que houver transporte disponível.

A divisão norueguesa da Cruz Vermelha, assim como Rússia, Brasil e Israel também devem fornecer estruturas semelhantes e profissionais para ajudar o povo haitiano.

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