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15/01/2010 - 12h14

Demora em ajuda leva a temor de revolta violenta no Haiti

Autoridades haitianas e agentes humanitários alertaram nesta sexta-feira para a necessidade de aumentar a segurança de equipes de ajuda por medo de saques e ataques, à medida que aumenta a tensão e a raiva entre sobreviventes do terremoto no Haiti.

Em encontro com o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, na quinta-feira no Haiti, o presidente haitiano, René Préval, teria manifestado sua preocupação com uma revolta popular devido à frustração dos sobreviventes.

Três dias após o tremor que devastou a capital, Porto Príncipe, dezenas de milhares de pessoas continuam a vagar pelas ruas à espera de alimentos, tratamento médico e informações sobre familiares.

A Cruz Vermelha Internacional estima que entre 45 mil e 50 mil pessoas tenham morrido no tremor de magnitude 7 da terça-feira.

"Infelizmente eles estão lentamente ficando mais impacientes e com raiva", disse David Wimhurst, porta-voz da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, a Minustah.

Sem autoridades
O quartel-general da ONU ruiu no terremoto, e correspondentes afirmam que há pouca presença das autoridades nas ruas, apesar de relatos de saque.

"Nosso maior problema é a insegurança", disse Delfin Antonio Rodriguez, comandante da equipe de resgate da República Dominicana. "Ontem eles tentaram roubar alguns de nossos caminhos. Hoje quase não conseguimos trabalhar em alguns lugares por conta disso", disse ele nesta sexta-feira.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), afirmou que seus depósitos foram saqueados, e não ficou claro quantos suprimentos ainda havia nesses armazéns.

Autoridades haitianas de segurança também manifestaram preocupação com o paradeiro de um grande número de prisioneiros que escaparam da principal prisão de Porto Príncipe, que ficou destruída com o tremor.

Segundo o correspondente da BBC em Porto Príncipe Nick Davies, o clima também é de tensão nas áreas de classe média e alta da capital haitiana, onde muitas casas são cercadas por muros altos e cercas de arame farpado, além de contar com segurança armada.

Davies relata que muitos nessas áreas temem que, mesmo com todo esse aparato de segurança, podem ser alvo de saques e ataques caso a promessa internacional de alimentos, água e medicamentos não se materialize logo.

Mortes
Outro jornalista da BBC em Porto Príncipe, Andy Gallacher, disse que os sobreviventes do terremoto estão morrendo em grandes números. Corpos estão empilhados nas ruas e escavadeiras estão sendo usadas para remover os mortos.

Dificuldades logísticas e danos à infraestrutura local ainda prejudicam os esforços de resgate, e muitos feridos morrem em decorrência de problemas que seriam facilmente tratáveis, como fraturas.

Embora a ajuda humanitária tenha começado a chegar ao Haiti, vinda de várias partes do mundo, há poucos sinais de distribuição para além da área do aeroporto.

"Ouvimos no rádio que as equipes de resgate estão chegando de fora, mas nada chega", disse o haitiano Jean-Baptiste Latonfin Wilfried.

"Precisamos de água. Precisamos de água limpa. As pessoas estão sofrendo. Meus amigos e vizinhos estão sofrendo", disse a moradora de Porto Príncipe Sylvain Angerlotte, de 22 anos.

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