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15/01/2010 - 09h43

Sistemas em três países já alertam para tremor segundos antes

Japão, México e Taiwan já contam com sofisticadas redes de sismógrafos que detectam terremotos momentos após o tremor inicial, analisam a sua magnitude e emitem sinais eletrônicos em alta velocidade que, normalmente, atravessam distâncias até os povoados mais próximos do epicentro mais rapidamente do que as ondas sísmicas.

Esses caros sistemas são capazes de detectar, analisar e dar o alerta em apenas dez segundos.

Com isso, potenciais vítimas podem ser avisadas da catástrofe iminente valiosos segundos antes de sua chegada e tomar providências para tentar reduzir suas consequências.

Nos Estados Unidos, um projeto-piloto patrocinado pela USGS testa há quase quatro anos um sistema integrado de alerta para a Califórnia, capaz de acionar em segundos grupos de resgate, empresas de luz e gás e empresas de transporte.

O sistema poderá ser usado para interromper o funcionamento de elevadores e trens, além de emitir alertas públicos pela internet, celulares e redes como o Twitter.

"Trabalhamos com novos cálculos de tomada de decisão e algoritmos que podem levar a alarmes automáticos cerca de dez segundos após o tremor inicial", afirmou Douglas Given.

Distância que salva vidas
Dependendo da distância do povoado mais próximo, o método pode dar até um minuto e meio de aviso para as autoridades, em uma situação em que cada segundo pode salvar vidas.

Em algumas regiões do Japão, já existe um sistema de alerta parecido. Assim que um tremor é detectado pelos sismógrafos da Agência Meteorológica do Japão (AMJ), dependendo da gravidade, a instituição imediatamente aciona o alarme, que é transmitido ao público.

Trens-bala param imediatamente, bem como o funcionamento de usinas nucleares. A população recebe cartilhas sobre como se comportar no caso de um alerta.

Na Europa, cientistas de vários países trabalham em conjunto para desenvolver sistemas de alarme rápido.

O projeto SAFER está implantando redes de alerta nas cidades de Nápoles, na Itália, Istambul, na Turquia, e Bucareste, na Romênia, e Atenas, na Grécia.

'Sistemas pouco confiáveis'
No entanto, o sismólogo Brian Baptie, da British Geological Survey (BGS), admite que os sistemas atuais "ainda não são muito confiáveis".

"Mesmo em países como o Japão, que já tem um sistema implementado, houve muitos alarmes falsos. Em outros casos, o sistema não avaliou a magnitude do tremor corretamente ou mesmo não foi capaz de detectar tremores", afirmou Baptie à BBC Brasil.

"O sistema de alarme rápido ainda precisa ser provado."
Entre as dificuldades que ainda precisam ser superadas estão a criação de redes de estações de coleta de dados mais densa, isto é, com pontos de medição de abalos sísmicos com uma separação mínima de forma a detectar tremores em qualquer local.

Este fator, segundo os especialistas, varia muito de acordo com as placas em questão. No caso do recente desastre no Haiti, nem o mais avançado sistema de alerta poderia ter feito grande diferença.

"O tremor começou praticamente ao lado de Porto Príncipe. Não há como um sistema de alarme rápido atuar aí, eles precisam de uma distância para serem eficazes", disse Baptie.

Essa é a principal diferença para os sistemas de alarme rápido para tsunamis, que já existem e funcionam bem.

As ondas dos tsunamis, por se deslocarem na água, movimentam-se muito mais lentamente, o que dá algumas horas de vantagem aos serviços de emergência.

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