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18/01/2010 - 10h37

Empregada processa Netanyahu por maus tratos e exploração

Depois de trabalhar seis anos na casa do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, a ex-empregada doméstica Lilian Peretz, está processando o ex-patrão por maus tratos, exploração e violação das leis trabalhistas. Ela também acusa a a esposa de Netanyahu, Sarah, de tratá-la da maneira "abusiva e brutal".

As acusações de Peretz serviram de estopim para uma série de críticas ao comportamento da primeira-dama do país, que segundo analistas politicos de veículos importantes da mídia israelense, "manda e desmanda não só em seu marido mas também em decisões políticas importantes".

Lilian Peretz, de 43 anos, exige o pagamento do valor de 300 mil shekels - o equivalente a cerca de R$ 150 mil - por indenização, férias e benefícios sociais, que, segundo o processo, não foram pagos.

No processo, Peretz acusa Sarah Netanyahu de comportamento obsessivo e descontrolado.

Ela diz ainda que a senhora Netanyahu a obrigava a levar ao trabalho quatro mudas de roupa por dia "para não contaminar a casa" e a trocar de roupas e tomar banho várias vezes por dia.

A ex-empregada também afirma que, se deixasse de cumprir alguma das regras, Sarah gritava e a humilhava, dizendo coisas como "sou a mãe do Estado de Israel!".

"Difamação"
O gabinete de Natanyahu declarou que as acusações de Lilian Peretz "são uma série de mentiras e difamação contra a esposa do primeiro-ministro".

"Ao contrário das acusações, Lilian recebeu um tratamento carinhoso e amoroso da senhora Netanyahu", diz a nota do gabinete.

A ex-secretária da primeira-dama, Nomi Igus, deu uma entrevista ao Canal 2 da TV israelense, confirmando as acusações de Lilian Peretz.

Igus, que foi secretária de Sarah Netanyahu durante a primeira gestão de seu marido no cargo de primeiro-ministro, de 1996 a 1999, declarou que a primeira dama "é uma empregadora que viola todas as leis".

"Quando li os detalhes das acusações de Lilian Peretz, revivi o trauma que passei quando trabalhei para Sarah Netanyahu", disse a ex-secretária.

"Reconheci o tipo de comportamento, os gritos, as crises histéricas", acrescentou.

Porém, vários analistas políticos da mídia israelense afirmam que o comportamento de Sarah Netanyahu não se limita a sua casa, mas também se estende ao gabinete de seu marido e pode influenciar decisões políticas importantes do país.

"Sarah manda no gabinete"
Segundo os analistas, "Sarah manda no gabinete de seu marido".

"O fato de que Bibi (apelido de Binyamin Netanyahu) permite que sua esposa problemática decida, nomeie, demita e imponha suas opiniões a sistemas inteiros o torna incapaz de exercer o cargo de primeiro-ministro", afirma o principal analista político do jornal Maariv, Ben Caspit.

De acordo com Caspit, Sarah é quem está por trás de nomeações importantes como do chefe do gabinete do primeiro-ministro, Natan Eshel.

Caspit critica a imprensa local por "saber e silenciar sobre quem de fato nomeia os funcionários mais importantes no gabinete".

De acordo com o analista, a primeira-dama também define a agenda de seu marido.

O analista político do Canal 10 da TV israelense, Raviv Druker, afirmou que nos bastidores da política "todos" apoiam a decisão da ex-empregada doméstica de abrir o processo e a consideram "corajosa".

Druker também disse que "todos sabem que Sara Netanyahu interfere em decisões políticas e nas nomeações de funcionários importantes no gabinete e que muitos foram afastados por causa dela".

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