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21/01/2010 - 22h10

Franceses fazem manifestações para apressar adoções de haitianos

Centenas de famílias francesas que entraram com pedidos de adoção de crianças haitianas antes do terromoto, no dia 12, realizam, no sábado, manifestações em várias cidades do país para exigir do governo que todas as 904 crianças cujos processos já estavam em andamento sejam levadas à França rapidamente.
Elas afirmam que o governo não está processando os casos rápido o suficiente.

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, anunciou, na quarta-feira, que 276 crianças haitianas "serão acolhidas na França o mais rapidamente possível".

Até o momento, o governo francês, diante da pressão das famílias, decidiu acelerar os casos de algumas crianças, mas somente das que já haviam obtido uma decisão favorável da Justiça do Haiti.

Estas aguardavam apenas a finalização dos trâmites administrativos, como vistos e passaportes, para entrar na França.

Perigo
"Felicitamos o governo pela decisão de repatriar 276 crianças, mas a intransigência burocrática francesa coloca em perigo uma segunda vez a vida de todos os outros", afirma Emmanuelle Guerry, porta-voz da organização SOS Haiti Crianças Adotadas, que organiza a manifestação no sábado.

Ela afirma que todos os pais que integram o movimento já obtiveram aval das autoridades francesas para efetuar a adoção e estavam cumprindo as diferentes etapas do processo no Haiti.

O casal Claire e Christophe Hocrelle, de Toulouse, no sul, da França, já adotou em 2006, um garoto haitiano de 5 anos, e iniciou, em 2007, um processo para adotar outro menino, de um ano e meio.

Ele vive na creche "Horizonte de Esperança", em Porto Príncipe, que sofreu grandes destruições no terremoto, segundo Claire Hocrelle.

"Não entendemos porque o governo francês é tão lento para reagir. As autoridades poderiam dar um estatuto de refugiado às crianças cujo processo de adoção ainda não foi finalizado até que ele seja concluído no futuro", disse Claire Hocrelle à BBC Brasil.
O casal francês já recebeu o aval inicial de um orgão haitiano, mas ainda aguarda a decisão da Justiça do país, que deveria ser concedida nos próximos meses.

Em setembro de 2009, o casal encontrou o juiz responsável pelo processo, que faleceu no terremoto, segundo Claire. Ela e seu marido também passaram uma semana com a criança na capital haitiana, que eles consideram como filho.

Frédéric Abergel e sua esposa, Michelle, de Lyon, deveriam viajar para Porto Príncipe no último sábado para conhecer o casal de gêmeos de 3 anos de idade que eles pretendem adotar.

Em maio do ano passado, eles deram entrada no dossiê junto às autoridades do Haiti.

"As administrações haitianas foram destruídas. Gostaríamos que o governo francês nos apoiasse para que essas crianças não sejam esquecidas", afirmou Frédéric à BBC Brasil.

Cautela
A reticência do governo francês de trazer ao país todas as 904 crianças pode ser explicada pelo "risco de que ocorram adoções ilegais, ditadas pela emoção", escreve o jornal Le Monde.

Segundo o governo, há 904 processos de adoção de crianças haitianas por famílias francesas.

Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores declarou que nos outros casos, que totalizam 628 crianças, o governo francês "irá estudar com as autoridades haitianas soluções para que os processos sejam concluídos".

"Sob o pretexto de salvar crianças, não podemos ser acusados de sequestro", declarou o chanceler francês, na quarta-feira.

O governo da França ainda não esqueceu o polêmico episódio da associação francesa Arca de Zoé, que tentou, em 2007, trazer ilegalmente à França 103 crianças do Chade, criando um grave incidente diplomático com o país.

Vários membros da associação foram presos no Chade acusados de sequestro.

A França, segundo a Agência Francesa de Adoções, é o país que mais recebe crianças haitianas em todo o mundo. Em 2008, 731 foram adotadas por famílias francesas.

Outros países
Outros países, no entanto, decidiram acelerar os procedimentos antes da França. A Holanda já retirou, na segunda-feira, as 109 crianças haitianas que estavam em processo de adoção.

O governo dos Estados Unidos anunciou que irá flexibilizar os procedimentos de adoção, no caso das famílias que haviam iniciado o processo antes da catástrofe, permitindo que as crianças sejam transferidas, mesmo sem todos os documentos necessários.

No dia 19, um primeiro grupo de 53 crianças haitianas embarcou para os Estados Unidos. Segundo o Departamento de Estado americano, cerca de 300 adoções estavam previstas para 2010.

A Bélgica também adotou uma decisão semelhante, que envolve 14 crianças.

O governo espanhol informou que vai facilitar a transferência das crianças haitianas cujos processos de adoção já foram concluídos.

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