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22/01/2010 - 21h34

Morales começa segundo mandato prometendo terras para expatriados

O presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou posse em seu segundo mandato nesta sexta-feira oferecendo terras para os bolivianos que moram no exterior e queiram retornar ao país.

"Tomara que nossos irmãos e irmãs que moram na Argentina, na Espanha e nos Estados Unidos possam voltar à Bolívia. Temos 13 milhões de hectares de terras disponíveis", afirmou.

Segundo ele, antes de sua posse, em 2006, 106.886 hectares de terras pertenciam ao Estado boliviano. Após seu primeiro mandato, de acordo com Morales, as terras estatais somam 13 milhões de hectares, já que algumas propriedades consideradas "improdutivas" ou "compradas irregularmente" foram confiscadas.

"Estas terras serão distribuídas entre os sem-terra ou para as famílias que não tenham terras suficientes", afirmou.

'Estado plurinacional' Em seu discurso, em La Paz, Morales defendeu o início de um "Estado plurinacional", com uma democracia "participativa".

"Hoje, temos uma democracia consolidada, participativa. Morreu o Estado colonial e nasceu um plurinacional. Antes, tínhamos um Estado que nos deixou em penúltimo (lugar) na América Latina. Falta muito, mas estamos no caminho correto", afirmou.

A cerimônia de posse do líder boliviano, no Palácio Legislativo, contou com as presenças dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, do Chile, Michelle Bachelet, do Paraguai, Fernando Lugo, e do príncipe de Astúrias, Felipe de Borbón, herdeiro do trono da Espanha.

Na quinta-feira, Morales liderou uma cerimônia indígena em Tiwanaku, um centro arqueológico, onde foi apresentado como "líder espiritual" dos indígenas.

Eleição Evo Morales foi reeleito em dezembro do ano passado com 64% dos votos - resultado superior aos cerca de 53% que recebeu em dezembro de 2005, em sua primeira eleição.

A boa votação na eleição para seu segundo mandato superou muitas expectativas, de acordo com analistas e políticos ouvidos pela BBC Brasil.

"Evo teve forte apoio da classe média. Muitos votaram nele porque preferem um país sem protestos e acham que Evo é o único capaz de conter e atender os movimentos sociais", afirmou Carlos Mesa, ex-presidente da Bolívia.

Já para o analista José Luiz Galvez, do instituto Equipos Mori, o discurso de Morales de "combater os inimigos" agradou, especialmente, aos indígenas - maioria declarada no país.

O economista Javier Gómez, do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário (CEDLA, na sigla em espanhol), por sua vez, afirma que Morales também foi beneficiado pelo cenário econômico.

Para ele, o aumento nos preços das commodities fortaleceu o caixa do governo e permitiu a distribuição de planos sociais para os mais pobres. "Essa ajuda social foi decisiva para a reeleição", disse.

O principal desafio de Morales em seu segundo mandato deve ser a regulamentação da nova Constituição boliviana, aprovada em um referendo em janeiro do ano passado e que implementa uma série de reformas administrativas e políticas no país.

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