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22/01/2010 - 10h22

Mulher é a nova 'rainha do tráfico' de Tijuana

As autoridades do México informaram que a liderança do Cartel de Tijuana está nas mãos de Enedina Arellano Félix, a única mulher a liderar uma organização de tráfico de drogas no país, segundo o Ministério de Segurança Pública.

Félix fez curso superior em contabilidade e só assumiu a liderança do cartel depois que todos os seus irmãos, fundadores da organização, foram mortos ou então presos.

Atualmente Félix divide a liderança do Cartel de Tijuana com Manuel Aguirre Galindo, conhecido como El Caballo, um dos homens mais procurados do México e Estados Unidos, de acordo com a Procuradoria Geral da República mexicana.

A DEA (agência antidrogas dos Estados Unidos) afirma que Enedina é a responsável pelas finanças do Cartel de Tijuana, um dos que foram mais prejudicados na luta contra o tráfico de drogas travada pelo governo mexicano desde 2006.

Discreta Especialistas afirmam que a imagem da nova líder do cartel é muito diferente da imagem de outras mulheres que já se envolveram com o tráfico de drogas no México.

Enedina Félix seria uma mulher discreta, eficiente, boa administradora e, ao mesmo tempo, muito poderosa no tráfico de drogas do país.

Víctor Clark, diretor do Centro Binacional de Direitos Humanos de Tijuana, afirmou à BBC que a liderança do cartel não era algo que Félix esperava.

"Ela está lá por questões de gerência, pela necessidade da família manter o controle da organização", disse. Clark acrescentou que ela é um exemplo das novas tarefas das mulheres no tráfico de drogas mexicano.

No entanto, ele acrescenta que a liderança de Félix não mudou as atividades do Cartel de Tijuana, pois o grupo mantém um alto índice de violência para defender seu território de grupos rivais.

O Ministério da Segurança Pública informou que Enedina Félix e seus sócios conseguiram manter o grupo ativo. Há dois anos, o Cartel de Tijuana enfrenta uma disputa com o Cartel de Sinaloa e mais de 2 mil pessoas já morreram ou estão desaparecidas.

Segundo o Ministério, Félix controla o embarque de drogas por meio de seu sobrinho, Fernando Sánchez Arellano, conhecido como El Ingeniero, e, ao mesmo tempo, se encarrega das operações financeiras do grupo.

A líder do cartel também supervisiona as alianças com outras organizações.

'Cultura machista' Em seu livro El Cartel, o jornalista Jesús Blancornelas, que sofreu um atentado encomendado pela organização, conta que Enedina Félix estudou em Guadalajara, como vários de seus irmãos.

Em 2000 ela foi encarregada de administrar os negócios aparentemente legais da família, incluindo uma rede de farmácias, hotéis, casas noturnas, construtoras e lavanderias.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos congelou as contas bancárias de várias destas empresas, com a acusação de que elas lavariam o dinheiro do cartel.

Mas, mesmo esta ação não impediu as operações financeiras do grupo, que, de acordo com a DEA, é a principal fonte do mercado de drogas da costa oeste americana.

Apesar de sua liderança, para o pesquisador do Colégio da Fronteira, Manuel Valenzuela, o papel de Enedina Arellano Félix ainda é marginal dentro do tráfico de drogas mexicano.

"Existe maior participação da mulher em âmbitos diferentes, mas o tráfico de drogas continua com uma cultura predominantemente machista", disse o pesquisador à BBC.

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