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29/01/2010 - 10h05

Blair nega 'acordo secreto' com Bush para invadir Iraque em 2003

O ex-premiê britânico Tony Blair negou que tivesse acertado um "acordo secreto" para invadir o Iraque com o ex-presidente americano, George W. Bush, durante uma visita ao rancho do líder americano em Crawford, no Texas.

Respondendo a perguntas feitas em um inquérito público em Londres que averigua a entrada da Grã-Bretanha na Guerra do Iraque, Blair disse que concordou publicamente naquela ocasião a se juntar à ação militar que os Estados Unidos planejavam no Iraque e que foi "aberto" sobre isso.

  • Alastair Grant/AP

    Manifestantes usam máscaras de Tony Blair e mostram as mãos manchadas de sangue



"Depois do 11 de setembro, nossa visão e a dos Estados Unidos mudou" disse Blair, acrescentando que essa visão parecia não ser compartilhada por outros líderes ocidentais.

Blair disse que as sanções previstas pela ONU contra o Iraque já não serviam mais para conter as ambições de Saddam e que a nova resolução que estava sendo discutida nas Nações Unidas "era diluída".

Nova ameaça
O ex-premiê defendeu a ação militar de 2003 no Iraque dizendo que Saddam Hussein tinha passado a representar uma ameaça de novas dimensões após os ataques da Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001.

Ele disse que na base da decisão de invadir o país estava a necessidade de passar a mensagem clara de que "se você é um regime engajado no desenvolvimento de armas de destruição, terá que parar".

"Não poderíamos correr o risco de permitir que o regime brutal e opressivo de Saddam desenvolvesse armas de destruição em massa", disse Blair.

Para Blair, Saddam "violou resoluções da ONU sobre armas de destruição de massa", e esse teria sido o motivo oficial da ação militar.

Ele negou que teria apoiado a invasão mesmo se acreditasse que Saddam não tinha armas de destruição em massa, como pareceu indicar em uma entrevista à BBC concedida no ano passado.

Remover Saddam "sempre foi apenas uma opção entre várias", disse Blair..

Inquérito Chilcot
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair está sendo interrogado nesta sexta-feira sobre a decisão de levar o Reino Unido a entrar em guerra contra o Iraque.

Esta é a primeira vez que Blair responde em público a perguntas sobre os fatos que antecederam a ação militar liderada pelos Estados Unidos e em que o Reino Unido desempenhou um papel de peso.

A participação de Blair no inquérito Chilcot vinha sendo bastante esperada no país.

Iniciado no final de novembro, o inquérito está analisando o período entre 2001 e 2009 e observar três pontos principais: a justificativa para a entrada no conflito, a preparação para a invasão do Iraque, em 2003, e as deficiências no planejamento para a reconstrução do país asiático.

Com membros nomeados pelo primeiro-ministro Gordon Brown, o júri, presidido por John Chilcot, não vai estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal, mas apenas emitir advertências e recomendações, para evitar que eventuais erros cometidos no episódio sejam repetidos no futuro.

O relatório final preparado pelo júri será debatido no Parlamento.

Testemunhos
Algumas testemunhas que já participaram do inquérito afirmaram que a promessa teria sido feita em 2002, apesar de o então procurador-geral britânico Peter Goldsmith ter alertado Blair sobre a necessidade de uma justificativa legal para a ação militar.

Em depoimento na quarta-feira, Goldsmith disse que até um mês antes da invasão, em 2003, acreditava que a empreitada só seria legal se fosse aprovada por uma nova resolução da ONU, mas ele acabou mudando de ideia e aceitando o argumento de que uma resolução anterior da ONU sobre o Iraque previa o eventual uso da força no país caso Saddam Hussein não cumprisse determinadas exigências.

O depoimento do ex-assessor de Blair, Alastair Campbell, também foi bastante aguardado no inquérito. Campbell disse que "defendia cada palavra" do relatório sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque, divulgado seis meses antes da invasão, em setembro de 2002.

Como diretor da área de comunicação do gabinete do primeiro-ministro entre 1997 e 2003, ele teve um papel de peso na elaboração do relatório que serviu de base para justificar a decisão do governo.

Campbell disse que o dossiê não foi escrito para apresentar "o argumento pela guerra", mas para mostrar porque Blair estava cada vez mais preocupado com a ameaça representada pelo Iraque.

O documento incluía uma introdução de Blair, em que ele dizia acreditar que as informações de inteligência demonstravam "sem dúvida" que Saddam Hussein havia continuado a produzir armas químicas e biológicas, uma afirmação que Campbell diz ter apoiado na época.

Campbell escreveu o primeiro rascunho da introdução, que foi então aprovado por Blair.

Sobre a alegação de que Saddam podia disparar armas em 45 minutos, Campbell disse que o dossiê poderia "obviamente" ter sido mais claro.

Mas ele insistiu que Blair apresentou um argumento equilibrado à Câmara dos Comuns antes da guerra e que a alegação dos 45 minutos só teve repercussão por causa da imprensa.

 

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